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O
manual AEA (2001, p.89 a 116) quando se refere à análise do
movimento, cita que o planejamento dos exercícios é um fator
fundamental para um programa obter sucesso, e todo instrutor deve
ter conhecimento suficiente para promover um trabalho equilibrado,
que desenvolva a resistência e o equilíbrio da musculatura bem como
o alinhamento e a boa mecânica do corpo.
A
preocupação em determinar um padrão de movimento adequado ao
objetivo dos exercícios, não é encontrado no manual. Mas é feita uma
abordagem direta nos benefícios de se ter uma consciência da
mecânica de cada exercício, analisando uma articulação de cada vez,
para que se tenha compreensão dos músculos trabalhados. Como por
exemplo: “É recomendado que se inclua os movimentos de extensão e
flexão do cotovelo nos programas de exercícios, para que o bíceps,
tríceps e os outros músculos da parte superior dos braços sejam
trabalhados”(MANUAL AEA, p. 109).
Case
(1998, p.31 a 47) cita que quanto mais horas de exercícios você
acumula na água, mais bem habilitado estará para aproveitar seu
poder de entender como a água trabalha. A autora frisa a maneira
como se deve entrar na água e orienta também a posição inicial para
executar os exercícios: “Aclimate seu corpo à temperatura, pressão e
flutuabilidade da água; ajuste seu ritmo de respiração, mantenha o
pescoço e os ombros relaxados e use toda região plantar dos pés para
se mover”. Ao que parece, há uma orientação em como executar os
exercícios, dando nomes a cada um deles, porém não demonstra um
padrão definido do movimento.
A estratégia da Análise Qualitativa
como componente pedagógico
A prática da
hidroginástica cada vez mais ocupa espaço entre indivíduos que
procuram a atividade física para suprir carências relacionadas à
saúde. O desenvolvimento dessa modalidade ocorreu sem um cunho
cientifico específico, apoiando-se em estudos voltados para a
natação. Relacionando os fatores que influenciam na prática da
atividade, podemos citar os fisiológicos e anatômicos .
Os fatores
fisiológicos vêm sendo estudados e a cada dia esclarecem dúvidas que
no início da prática da atividade, não tinham respostas.
Segundo Avellini et al.
(1983), pode-se
esperar que o exercício físico aquático produza reações fisiológicas
diferentes daquelas ao ar livre, devido tanto ao efeito hidrostático
da água no sistema cardiorrespiratório como a sua capacidade de
intensificar a perda de calor comparada ao ar.
De acordo com
Arborelius (1972) e Risch et al. (1978), durante a imersão de
um sujeito sentado reto, 900 ml de sangue é deslocado das veias
periféricas para a região do torax, sendo que um quarto desse volume
é armazenado no coração (200 ml), e o resto ( 700 ml) é distribuído
pelo sistema vascular pulmonar, isto demonstra que a imersão de um
homem em uma piscina termoneutra leva a o aumento do volume do
coração em média de 200 ml.
Kravitz & Maio (1997) demonstraram que
muitas pesquisas visam principalmente avaliar os benefícios da
hidroginástica na promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida,
com maior concentração de interesse nas adaptações
cardiorrespiratórias advindas da pratica desta modalidade de
exercício físico.
Ao que parece,
esta preocupação em verificar as respostas fisiológicas do corpo
imerso tem colocado outros fatores em segundo plano, dentre os quais
os anatômicos, os pisicologicos e os biomecânicos, deixando as
aulas com fundamentação fisiológica, mas pouca qualidade na
execução dos movimentos. A eficiência mecânica é responsável pela
qualidade do movimento e, conseqüentemente, alcance dos objetivos
pré-estabelecidos no planejamento. Quando a prática da
hidroginástica tem como objetivo o condicionamento
cariorrespiratório a qualidade do movimento nos exercícios não é o
fator primordial como a Freqüência Cardíaca e Volume de Oxigênio,
mas quando o objetivo é muscular o ato mecânico no trabalho corporal
consciente é de suma importância. A maioria de nós, professores de
Educação Física, que ministram aulas de hidroginástica, não percebe
que o aluno é a parte principal na prática da atividade,
considerando-o como sujeito- objeto e não como sujeito-próprio, que
possui uma identidade, capacidade e limitações, dotado de
intencionalidade . Nesta perspectiva, o aluno é tratado como um mero
repetidor de habilidades consideradas ou não importantes pelos
professores. É exatamente pensando neste aluno ( sujeito-próprio )
que devemos analisar melhor as aulas de hidroginástica,
principalmente quando se objetiva um trabalho muscular. Diante desse
fato, a proposta é agregar o conhecimento aos alunos nas práticas
motoras; isto será favorecido pela tomada de consciência corporal.
Portanto, propõe-se trabalhar nas aulas de hidroginástica a
consciência corporal. Esse tema é bastante abrangente, por isso,
vamos focar nosso estudo em relacionar a consciência corporal com o
trabalho muscular em hidroginástica. Para isto, deveremos demonstrar
fatores que produzem conhecimento, que possam ser aplicados na
solução de problemas encontrados em situações práticas de
aprendizagem motora.
Para compreender
a aprendizagem motora, devemos definir os termos habilidade motora,
execução e resultado. Segundo Hay & Reid (1985), Habilidade Motora é
uma série de movimentos voluntários do corpo humano designado a
atingir um objetivo especial. Execução é a maneira pela qual todos
os movimentos contendo uma habilidade motora são executados e
Resultado é a medida dos efeitos de uma execução.
O método de
análise que iremos utilizar é qualitativo, que consiste de uma
avaliação sistemática não somente dos resultados, mas também de
todos os vários fatores que contribuem para o resultado. É baseado
na observação visual da execução e é todo subjetivo. Para fazer esta
análise, é necessário que o professor tenha o conhecimento técnico
do movimento em questão e o objetivo a ser alcançado. Considere a
dificuldade que seria sugerir alguma mudança na execução do
movimento se não conhecesse o objetivo a ser alcançado. É
necessário, portanto, que o professor tenha o maior número de
informações que dizem respeito às habilidades motoras que norteiam a
execução, podendo assim desenvolver com sucesso o sistema de análise
qualitativo.
Devido a falta de
informação por parte dos professores de hidroginástica em relação às
habilidades motoras utilizadas para se trabalhar força muscular, o
alcance desse objetivo vem criando polêmica no meio aquático, por
não observar ganho significativo na força em determinados
movimentos, principalmente em indivíduos que praticam hidroginástica
há um certo tempo. Isto ocorre porque os professores se preocupam em
ser excelentes motivadores, e sabem muito pouco sobre a técnica
envolvida no movimento dentro da água.
O sistema de
análise qualitativa segundo Hay & Reid(1985), consiste de quatro
fases:
1-
Desenvolvimento de modelo (ou diagrama em blocos), mostrando o
relacionamento entre os resultados e os fatores que produzem estes
resultados (fig. 01).
2-
Observação da execução e identificação das faltas.
3-
Avaliação da importância relativa dessas faltas.
4-
Instrução do executante de acordo com as conclusões alcançadas no
curso da análise.

Fig. 01
HAY
& REID,1985
A partir do
conhecimento do técnico do gesto motor, os professores de
hidroginástica deverão estar sempre atentos aos movimentos que seus
alunos executam. É muito interessante que os alunos participem desse
conhecimento para que possam compreender com clareza os exercícios
propostos, sabendo quando iniciar e quando parar o movimento, tendo
consciência da trajetória percorrida pelo movimento.
HABILIDADE MOTORA
É uma série de movimentos voluntários do
corpo humano designados a atingir um objetivo especial (HAY & REID,
1985).
COMPORTAMENTO
MOTOR
”O homem movendo-se no tempo e espaço. E assim
interpretado (compreendido e explicado) imediatamente percebido do
exterior” (CUNHA, 1994 p. 154).
CONDUTA
MOTORA
“O comportamento motor como portador
de significação (sentido), de intencionalidade, de consciência clara
e expressa de onde há vida, vivência e convivência. A conduta motora
realiza-se através de uma concreta dialética entre o interpessoal e
o intrapessoal e manifesta um dinamismo integrador e totalizante”
(CUNHA,1994 p.154).
PRINCÍPIO DA CONSCIENTIZAÇÃO
Parte do pressuposto de que a atividade quando
realizada de forma consciente, ou seja, sabendo o porquê e para que
sua utilização, obtém-se mais benefícios, na medida em que o
executante procura “canalizar” esforços para seu objetivo.
Chamolisnk (1977) afirma que os praticantes, e também
seus orientadores, deverão fazer real o princípio da
conscientização, dialogando sempre que necessário sobre os meios e
métodos de avaliação, enfim sobre todo o processo de treinamento,
torna-se eficaz. (GOMES & ARAUJO FILHO, 1992). |