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Brincava de pique, esconde-esconde, soltava pipa, jogava
bola, andava de bicicleta. Para a escola ia e voltava a pé brincando
de correr e morava em casa. Não parava nunca. Essa era a vida das
crianças de antigamente que eram magras simplesmente porque gastavam
segundo alguns estudos, umas 600 calorias a mais se comparadas com
as de hoje. Violência crescente, medo e carros. Muitos carros nas
ruas congestionadas. As vilas onde a gente brincava não existem mais
e as que existem se criança brincar na rua vem logo um vizinho chato
reclamando do barulho. Outras vilas foram engolidas pela especulação
imobiliária dando lugar a prédios, condomínios cercado de vigilância
24 horas mais parecendo prisões de segurança máxima. As crianças?
Desapareceram das ruas e se divertem entre quatro paredes na frente
de um computador. Quando não, estão de olhos fixos na televisão.
Entre computador e TV passam mais de 27 horas sentadas, inércia que
só perde para as horas de sono. Ficaram gordinhas, sem massa
muscular e doenças que antes eram típicas de adultos como a
hipertensão arterial e o diabetes passaram acometer também as
crianças. Leva no médico pra quê se já sabe o porquê? Ao ouvir o
médico dizer que precisa fazer exercício, controlar a alimentação os
pais pensam estar transferindo a responsabilidade para ele. Foi o
médico que falou!
Ora! Não precisamos ser muito inteligentes para saber que a
obesidade na infância é a certeza de vida adulta problemática com
pelo menos 30% mais chance de doenças cardiovasculares, articulares,
ósseas, ansiedade, depressão e na terceira idade... Bom na terceira
idade pode ser que nem chegue até lá porque já perdeu os 30% de
vida. Pelo menos eu não conheço muitas pessoas com mais de 80 anos
que seja obesa e tenha tido uma vida sem atividade física e
preocupada com alimentação saudável.
É bem verdade que existem poucos estudos mostrando quais são
os benefícios evidentes da atividade física na criança, mas pelo
menos três nem precisa provar porque todo mundo sabe: 1) São mais
espertas, mais ágeis, não são obesas e não ficam doentes com
freqüência. 2) Criança ativa tem muito mais chance de continuar
assim na vida adulta e terão mais consciência de passar isso aos
filhos. 3) Mais da metade dos adultos fisicamente ativos conheceram
o esporte na infância e isso é um fato.
Eis a questão. Incentivar a criança a praticar esporte é
dever dos pais e educadores, não significa determinar o que elas
devem ou não fazer. Muitos pais escolhem a modalidade esportiva dos
seus filhos sem ao menos perguntarem a elas se querem. Simplesmente
o pai “acha” que aquela atividade é a boa para o seu filho ou faz
por puro interesse particular para cuidar, naquele horário, de
outros afazeres.
A competição é inerente ao ser humano e desde pequenos se
lançam ao desafio naturalmente não se importando com resultado.
Basta olharmos as crianças brincando na praça. Apostam corrida,
criando as suas próprias regras de jogo. Tudo funciona bem e elas
mesmas resolvem os problemas enquanto os pais não se metem tomando
partido. Partindo dessa premissa os pais, educadores, associações,
colégios, prefeituras entre outros devem criar programas de
incentivo à atividade física infantil baseada em algumas diretrizes:
1) Reduzir de alguma forma o número de horas gastas com o computador
e TV. Muitos pais até preferem que suas crianças fiquem grudadas na
telinha supostamente quietas em seus quartos por puro comodismo.
Enquanto estão lá não estão enchendo o saco. Dizem ou pensam. 2)
Estimular os estudantes à participação em jogos estudantis. Esses
jogos quando bem conduzidos são uma excelente oportunidade de
socialização. Moral, ética, respeito ao próximo, camaradagem e união
são alguns desses valores desenvolvidos em competições além da
possibilidade de descoberta de alguns raros talentos embora não seja
o principal. 3) Valorizar e incentivar os profissionais de Educação
Física da escola a realizar programas de atividade física voltados
para a saúde e não apenas para a competição onde quem não tem
talento acaba ficando de fora. É preciso realizar os dois programas
porque a competição também tem seus fundamentos sociais. 4) A
questão fundamental é o exemplo dos pais. A criança fica sem
referencial quando os pais são obesos, sedentários e não têm hábitos
de vida saudável. Coitada da que por obra do Divino Espírito Santo
nascer magra na família de obesos. Vão achar que é doente.
Para Refletir:
Quem não faz nada na vida, não tem nada e não pode reclamar de nada
porque também não merece nada. Moraes 2009.
Sobre a Ética:
Problemas existem para serem resolvidos e cada problema resolvido é
a chance que temos de adquirir experiência para resolver outros.
Moraes 2009.
Cartas para:
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Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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Terrazul
Informática Ltda
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