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Certamente a
aplicação do conhecimento científico para determinar o tipo e
quantidade de atividade física necessária vai de encontro as
necessidades individuais de cada indivíduo, com isso a ciência do
esporte tem mostrado um importante avanço nestes últimos anos. Em
uma era na qual se torna importante a obtenção de resultados
positivos em qualquer que seja o ramo das atividades humanas, fica
cada dia mais difícil obter bons resultados decorridos simplesmente
do acaso. Os treinadores aplicam, cada vez mais, treinamentos com
bases científicas sólidas afim de poder programar o desenvolvimento
da equipe, tudo isso com um único objetivo, aumentar a performance
da equipe para garantir bons resultados. É neste ponto que o
processo de medidas e avaliação surge como um elemento de suma
importância no treinamento desportivo, este processo que se atribui
escores também assume um papel muito importe dentro do quadro
educacional.
Os principais
objetivos do processo de medidas e avaliação são:
Ocorrem muitos
enganos na interpretação como, pensar que a avaliação é o ato final
do julgamento, quando na verdade é o processo para se chegar até
ele. Durante o processo avaliativo é muito importante que o
professor de Educação Física utilize-se de instrumentos ou testes
que o permitirão atingir seus objetivos com segurança e
consistência. Para tanto é preciso respeitar os critérios de
autenticidade científica, os quais relataremos neste capítulo.
Entretanto, o complexo processo avaliativo é composto de conceitos
distintos, como teste, medida e avaliação.
O teste é um
instrumento de medida que é utilizado para obter informações sobre
um dado específico ou características sobre um grupo ou indivíduo.
Então podemos entender com teste - Instrumento científico, de valor
como diagnóstica, que implica uniformidade nas condições de
aplicação e correção e que nem sempre acompanhado de normas para sua
interpretação.
Logicamente, o
teste seria então um reativo que, aplicado a uma pessoa, nos desse
um testemunho de sua maneira de ser, de sua instrução, ou como se
porta em determinada situação, ou seja, técnica usada para se obter
uma informação.
A medida é um
escore ou número que foi obtido baseado no teste. Nenhuma decisão
deve ser tomada levando-se em conta a qualidade do número por si só,
isto implica que as medidas devem ser anotadas somente como um valor
numérico.
Técnica utilizada
para coletar informações obtidas no teste, atribuindo um valor
numérico aos resultados, geralmente expresso em centímetros ou
metros, segundos ou minutos.
A avaliação é um
termo complexo, que usualmente é mal utilizado por professores e
alunos. É um julgamento feito a respeito de um estudo baseado na
medida ou em algum critério pré-determinado.
Determina o valor
da informação coletada. Classifica e indica o progresso dos
avaliados, deve ser coerente com os objetivos do profissional.
O professor de
Educação Física, de posse destas definições, deve escolher com
propriedade o teste, a fim de obter medidas precisas para, então,
fazer profundas avaliações sobre dados específicos ou
características de seus alunos. Para tanto, no processo de seleção
ou construção dos testes, o professor deve obedecer aos critérios de
autenticidade científica, evitando a utilização de instrumentos
(testes) inadequados.
Depois de
determinar o porquê e o que medir ou testar devemos selecionar o
melhor teste. Os testes selecionados deverão ter parâmetros
aceitáveis para efetuar a tomada de decisão. Deve-se verificar
sempre a validade, fidedignidade e objetividade dos testes
propostos.
Segundo Rabelo
(1999), durante o processo avaliativo é muito importante que o
professor de educação física utilize-se de instrumentos ou testes
que lhe o permitirão atingir seus objetivos com segurança e
consistência.
A validade indica
se o teste mede aquilo que deve ou pretende medir, ou seja, é a
segurança da interpretação dos resultados do teste.
Segundo Cronbach
(1949), "um teste é válido na medida em que sabemos o que mede".
Por existirem em
educação física numerosos instrumentos de teste para se fazer uma
escolha, é necessário estudar cuidadosamente os objetivos de cada um
deles ao fazer uma seleção. MATHEWS (1980), afirma que um teste não
pode ser melhor do que a sua validade, independentemente de sua
confiança e objetividade.
GULIKSEN (1950),
recomenda que procuremos verificar a validade de conteúdo de um
teste, mediante o emprego de recursos como: intercorrelações de
diversos tipos de provas destinadas a medir a mesma área, comparação
dos resultados obtidos antes e depois da aprendizagem efetuada.
Outro fato
importante é compreender a importância da impressão causada por um
teste ao indivíduo que para ser avaliado. Este fato é complicado,
pois, não é propriamente um aspecto da validade como a conhecemos e
sim a um problema de relações humanas. O sucesso alcançado num
programa de avaliação depende da atitude de cooperação e de
interesse de quem faz o teste.
Para garantir uma
interpretação adequada, o professor deve conhecer o tipo de validade
que o teste propõem.
Mais recentemente
Thomas e Nelson (1996), citam quatro tipos de validade:
-
Validade Lógica - é subjetiva e
não é expressada por valores numéricos. Entretanto, ela é
considerada como um pressuposto para outros tipos de validade
muito utilizada na área de educação física.
-
Validade por Conteúdo - assim
como a validade lógica, não pode ser expressa por valores
numéricos. É muito utilizada nas avaliações curriculares das
unidades de ensino de 1º e 2º graus, ou seja, é uma relação de
ensinar e testar.
-
Validade por Critério
- é a
comparação entre os escores do teste proposto com a medida ou
padrão, pois, usa uma medida critério ou teste padrão conhecido e
que já possua autenticidade científica comprovada, é expressa
matematicamente, através de um coeficiente de correlação.
A validade por
critério dividi-se em validade concomitante e por predição.
-
Validade Concomitante - é a
relação dos escores de um teste proposto com um outro teste,
chamado padrão, por ter comprovada a sua validade. utilizada
quando se deseja substituir um teste longo ou complexo, por um
outro curto e de fácil aplicação.
Segundo Rabelo
(1999), o coeficiente de relação obtido pela comparação dos escores
do teste proposto com o teste padrão para fornecer dados relativos à
precisão da validade concomitante também será alta; como
conseqüência, o teste padrão poderá ser substituído pelo teste
proposto.
-
Validade por Predição
- utilizada muito pelos professores de educação física quando se
deseja prever resultados futuros de um indivíduo em uma
característica ou habilidade específica. Comprova através de um
coeficiente de correlação que irá estabelecer uma relação entre
teste proposto e a medida critério, é influenciado pelo tamanho da
amostra e o erro padrão estimado.
-
Validade por Construção
- é entendida como grau no qual o teste mede uma característica,
ou constructo que não pode ser diretamente medido.
-
Constructo
- nome que se dá a características que não podem ser medidas como:
personalidade, stress e etc.
A validade por
construção é dada através de métodos diferenciados e cada um destes
é mais apropriado a determinada situação.
Escolha do Critério de Validação
Diferenciação em vários grupos de idade
Este critério implica no aumento progressivo dos resultados de
acordo com a idade cronológica limitado aos testes que visam medir
uma aptidão que efetivamente apresenta modificações em idades
sucessivas, pois este critério é apenas de cunho negativo.
Rendimento escolar
Um dos
critérios de aceitação mais difundidos onde implica em medir o
índice de aproveitamento do aluno (notas, resultados parciais,
provas, professores e etc.)
A fidedignidade,
indica até que ponto as diferenças individuais nos resultados dos
testes podem ser atribuídas a erros ocasionais de medida, e até que
ponto elas revelam diferenças intrínsecas nos atributos em
consideração, ou seja, é a segurança de uma medida que pode ser
interpretada através de um coeficiente de correlação que será obtido
pela concordância dos resultados dos testes. Incluímos o problema da
precisão dos avaliadores: até que ponto coincidem as interpretações
e avaliações de dois juizes distintos?
Técnicas para a Medida da Fidedignidade
-
Técnica da Lógica - diferente das
demais, pois não é matematicamente calculada. O professor supõe
que o teste é confiável, baseado em critérios como: instruções
detalhadas do teste, objetivo do teste.
-
Técnica do Re-teste
- consiste em aplicar a prova uma segunda vez aos mesmos
indivíduos, isto é, repetir a mesma prova em uma segunda ocasião.
Neste caso, o coeficiente de precisão é simplesmente a correlação
entre os resultados obtidos pelos mesmos indivíduos em duas
aplicações distintas da mesma prova.
-
Técnica das Formas Equivalentes
- aplicar aos mesmos indivíduos duas formas equivalentes
(paralelas) da mesma prova. O coeficiente de correlação assim
obtido será uma medida da estabilidade temporal associada à medida
da equivalência dos itens.
-
Técnica das Duas Metades
- divide o teste em duas metades equivalentes, esta técnica
consiste em calcular o grau de correlação entre escores obtidos
por um grupo de pessoas em duas metades comparáveis da mesma
prova. Nesta técnica, leva-se em consideração mais a equivalência
dos itens do que propriamente a estabilidade temporal.
Uma vez dividido
o teste, basta correlacionar os resultados obtidos em ambas as
partes para obter uma estimativa da fidedignidade da prova.
Índice de Precisão - obtido
extraindo a raiz quadrada do coeficiente de precisão. Definimos como
correlação de um teste consigo mesmo. O índice de precisão será
sempre superior ao coeficiente de precisão.
Erro Padrão da Medida - conhecido
também como erro típico. Nos permite averiguar a fidedignidade do
teste. O erro padrão nos informa o escore que se obteria se a medida
fosse totalmente isenta de erro.
A objetividade, é
o grau de concordância com o qual vários indivíduos marcam os mesmos
escores no teste, ou seja, é a ausência da influência do avaliador
nos resultados do teste, que é expressa através de um coeficiente
de correlação.
Coeficiente de Correlação
- Conhecido como grau de concordância entre duas variáveis.
Udinsky;
Osterlind e Lynch (1981), afirmam que a correlação entre variáveis
pode denotar a existência de uma associação ou pode dar uma
indicação do grau com o qual as duas variáveis estão envolvidas.
Quanto mais altos forem os coeficientes de correlação para validade,
fidedignidade e objetividade, sua avaliação terá maior
confiabilidade.
Tipos de Erros
Os dois tipos
mais comuns são: erro de medida e erro sistemático.
Erro de Medida - este por sua
vez subdivide-se me três outros erros:
-
Erro de equipamento - quando o
equipamento não é aferido previamente.
-
Erro do avaliador - quando o
avaliador erra na leitura do instrumento, quando sua técnica é
incorreta ou não protocolada para o teste.
-
Erro administrativo
- quando sai alguma coisa errada na parte administrativa do teste;
por exemplo, quando o teste deveria ser aplicado pela manhã e só
foi aplicado pela noite do mesmo dia.
Erro Sistemático - podemos citar
as diferenças biológicas; por exemplo, a medida de estatura de um
indivíduo será diferenciada se ele realizar uma medida pela manhã e
retornar a medir a noite.
Conclusão
O professor de
Educação Física deve sempre escolher testes que sejam válidos e,
preferivelmente, com alto coeficiente de correlação, porque este irá
determinar o quão bem o teste mede o que se propõe a medir.
É necessário que
os profissionais da área de Educação Física, tenham total atenção
quanto aos critérios de autenticidade científica. A escolha de
testes válidos, resultará em medidas seguras, respeitando os
objetivos traçados. Levando o professor a realizar julgamentos
precisos sobre o seu programa, sem colocar em risco todo o processo
avaliativo.
Outro aspecto de
interesse diz respeito a realização de projetos ou de pesquisas onde
seja necessária a utilização de testes. Estes deverão ter,
impreterivelmente, validade conhecida e ser possuidores de um bom
coeficiente de correlação.
Como professores
de Educação Física, constantemente nos deparamos com situações onde
julgamentos deverão ser efetuados. Por isso, é nosso objetivo
selecionar e/ou construir o melhor teste para uma situação
particular. E é a partir da aplicação dos conceitos introduzidos
neste capítulo, que poderemos nos destacar, construindo, elaborando
e julgando programas com embasamento científico, ao invés de
continuarmos lidando com informações puramente casuais.
Fontes
FERNANDES, J.
F. A Prática da Avaliação Física. Rio de Janeiro: Shape, 1999.
SAFRIT, M. J. e
WOOD, T. M. Introduction to Measurement in Physical Education and
Exercise Science. St. Louis: Mosby, 1995. 3. ed.
THOMAS, J. R. e
NELSON, J. K. Research Methods in Physical Activity. Champaign:
Human Kinetics, 1996. 3. ed.
MATHEWS, D. K.
Medidas e Avaliação em Educação Física. Rio de Janeiro:
Interamericana, 1980. 5. ed.
MORROW, J. R. et
alii. Measurement and Evaluation in Human Performance. Champaign:
Human Kinetics, 1995.
UDINSKY, B. F.,
OSTERLIND, S. J. e LYNCH, S. W. Evaluation resource Handbook:
gathering, analysing, reporting data. 1981. p. 197 - 204.
BARROW, H. M. e
MCGEE, R. A. A practical approach to measurement in physical
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