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ATIVIDADES
RÍTMICAS: Esta disciplina, ministrada em algumas faculdades
de Educação Física e de Dança, é muito carente de informações mais
atualizadas. Desta forma na medida que forem surgindo
questionamentos e procura por este material estaremos publicando
alguns artigos que possam elucidar alguns professores que necessitem
deste conhecimento. Desta vez, estaremos dando algumas noções sobre
o Folclore.
FOLCLORE:
Ciência que estuda determinado tipo de fato social, aquele que se
caracteriza por ser anônimo e não institucionalizado e,
eventualmente, por ser antigo. Representa o pensamento popular.
INTRODUÇÃO
AO FOLCLORE BRASILEIRO: Em todas as manifestações do
folclore brasileiro os elementos de origem européia estão presentes,
pois os portugueses constituíram a camada dominante da população
colonial. Entretanto, em muitos casos, houve influência marcante das
populações indígena e negra, conforme a região e a importância que
tiveram no processo de colonização, e da Igreja Católica, onde, nas
comemorações religiosas, aglutinaram-se elementos folclóricos de
origens diversas.
O folclore brasileiro apresenta grande diversidade regional.
Desenvolveu-se principalmente em São Paulo, antes da
industrialização, em Minas, durante a mineração, e especialmente no
Nordeste, marcado por séculos de cultura da cana. Essas regiões
possuíam uma população razoavelmente densa que criou um modo de vida
tradicional e relativamente estável, capaz de incentivar a
transmissão oral e a elaboração coletiva de representações. Possuíam
também uma produção local e artesanal de artigos de consumo, de
acordo com as técnicas e padrões estéticos próprios. Atualmente,
entretanto, as manifestações folclóricas estão desaparecendo, a
industrialização e a urbanização eliminaram o artesanato e a
relativa auto-suficiência econômica dessas regiões. A cultura de
massa substituiu os valores e as crenças locais e, em seu lugar,
desenvolveu-se um folclore artificial voltado apenas para o consumo
turístico.
Os estudos e as pesquisas sobre o folclore no Brasil,
desenvolveram-se mais ativamente a partir de 1974, com a criação,
pelo Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, da
Comissão Nacional do Folclore. Dirigida por Renato Almeida, esta
comissão estabeleceu um maior intercâmbio entre os folcloristas
brasileiros, organizados nas comissões estaduais. O I Congresso
Brasileiro do Folclore, instalado no Itamaraty e realizado no
Ministério da Educação e Cultura, aprovou a Carta do Folclore
Brasileiro e levou à criação, em 1958, da Campanha da Defesa do
Folclore Brasileiro, órgão do Ministério da Educação e Cultura.
Entretanto, nosso folclore ainda não é perfeitamente conhecido.
Apesar dos estudos realizados inicialmente por Sílvio Romero
(1851-1914) e continuados por Amadeu Amaral (1910-1944), Mário de
Andrade (1893-1945), Câmara Cascudo (1898- ) e Alceu Maynard de
Araújo (1913-1974), poucos autores têm se dedicado a esse assunto. O
folclore constituiu-se de uma série de tradições, lendas ou
crendices populares manifestadas através de provérbios, contos,
canções e tradições de uma região. Das velhas raízes saxônicas FOLK
(povo) e LORE (sabedoria), surgiu em 1846 o vocábulo Folklore,
significando sabedoria do povo. No Brasil, com a reforma
ortográfica, falamos e escrevemos folclore. Ele é a cultura do povo,
tendendo a transformar-se com o passar do tempo. Essa transformação
ocorre paralela ao desenvolvimento das artes, das ciências e da
tecnologia. Por esses motivo, o folclore não morre, ele é na sua
essência uma cultura do povo que tem suas raízes neste próprio povo.
Muitos folcloristas comentam que, com o desenvolvimento da
tecnologia, a urbanização dos grandes centros industriais e outras
iniciativas do progresso, o folclore sofre uma descaracterização,
pois segundo a folclorista Maria de Lourdes Ribeiro, o folclore
abrange todos os campos da vida humana, incluindo seus mitos e
lendas, e suas histórias, seus teatros, suas artes, etc.; contudo,
existem certas características que determinam o fato folclórico: o
anonimato, ou melhor dizendo, o povo é seu autor, pois o nome do
eventual autor perdeu-se no tempo e o ovo aceita o acontecimento sem
nenhuma imposição, simplesmente porque neste fato existe algo que
toca no fundo de sua alma. O fato folclórico não é documentado,
registrado ou armazenado pelo povo que o fez e desenvolve. Ele passa
de boca em boca, transmitindo sua sabedoria, seu modo de pensar,
transformando-se, adaptando-se, de acordo com o interesse do povo.
Uma de suas características principais é a tradicionalidade: no
caso, ele age como uma garantia à permanência dos valores de uma
cultura, pois a tradição nada mais é que a grande força das pessoas
do povo. Além disso, há o fator funcionalidade: o fato folclórico
existe por qualquer razão. Não é um torrão de barro jogado ‘parede
que pregou por acaso com o passar das horas. Ele existe porque diz
alguma coisa do povo e nada realiza sem uma determinante
estreitamente ligada a um comportamento psicológico, religioso e
social. Muitas vezes, um fato folclórico, como o bumba-meu-boi,
serve de veículo para comunicar às autoridades e às pessoas em geral
o que o povo ou um determinado grupamento humano acha de um certo
governo, de alguma realização das autoridades ou mesmo dos
indivíduos. Podemos constatar isso nos versos de Laurentino, criador
e responsável pelo Bumba-meu-boi de Mestre Deus, bairro de São Luiz:
“O governador Sarney foi o melhor que eu vi / construiu a caixa d’água
e a Avenida Kendi (Avenida Kennedy)”. Se nestes versos os valores da
obra estão presentes, em outras como esta: “Pra cantar / Sô nego
besta / Pra cumer / quem ti convidô” - vemos o protesto lançado nos
versos a um jornalista que considerava o boi de Laurentino e as
demais aspirações do povo um fenômeno de atraso e, muitas vezes, de
vergonha por se tratar de uma coisa do povo.
FOLCLORE
BRASILEIRO: O folclore absorveu os vários fatores étnicos
que formaram a raça brasileira. O índio e o negro contribuíram com a
mitologia e um conjunto de tradições relativamente puras em seu
caráter primitivo e selvagem. Em seu livro “Digressões em torno do
Folclore”, Hugo Pedro Carradore diz que o encontro entre o branco e
o índio, “um fértil acervo, foi ligado ao patrimônio brasileiro, que
graças aos filhos desse conúbio, os caboclos vem se perpetuando”.
Deste testamento de que somos herdeiros há bens de ordem material e
não material. Entre tantos bens de ordem material pode-se citar o
uso da mandioca e suas aplicações, a prensa de tipiti (cesta) usada
no preparo da farinha de mandioca (é um engenho caboclo, acionada
por um processo de parafuso sem fim); essa cesta ainda é encontrada
nas últimas casas de farinha. Além disso temos ainda a herança do
milho e sua utilização, o cultivo e o aproveitamento de grande
número de plantas medicinais que os índios separavam da floresta
brasileira.
Quanto à herança não material, a cultura cabocla nos propiciou uma
riqueza sem fim em mitos, lendas, superstições, danças, cujas raízes
estão presas à herança indígena. De uma maneira geral, os
folcloristas defendem o moderno conceito de que a cultura popular é
dinâmica, capaz de assimilar as influências exteriores, absorvê-las
e transformá-las ao longo do tempo. Como lembra o professor da
Universidade Federal da paraíba, Altimar Pimentel, a literatura de
cordel assimilou a viagem à lua, a novela de televisão e o próprio
Roberto Carlos”, ou “Carta de Satanás a Roberto Carlos”. Na opinião
do professor e de vários especialistas da matéria, o papel do
folclorista seria o de somente documentar o hoje, para não perder a
memória amanhã. O folclorista não deve interferir na criação popular
e muito menos querer que ela pare no tempo, numa atitude
paternalista e estagnada. O povo precisa de liberdade para criar, de
inteirar-se de sua época. Mesmo no moribundo teatro de fantoches ou
de titeriteiros, que viajam no passado de fazenda em fazenda
mostrando sua arte crítica, através de “João Redondo”, aparece de
vez em quando um boneco cabeludo. E não importa, segundo Altimar,
porque o “João Redondo” continua sendo um drama rural, que trata das
relações fazendeiro-lavrador. É o povo que reage ao domínio
semi-feudal do nordeste. O herói é Benedito ou Baltazar ou ainda
Gregório. O povo vibra com suas derrotas e vitórias, terminando por
esmagar (como um alter-ego do povo) o poder que o oprimia. É através
das lendas e superstições que se conhece a alma do povo. Assim temos
no Brasil, o Boitatá, que de acordo com a lenda é um gênio protetor
dos campos contra os incêndios, também conhecido por cobra-de-fogo;
Bumba-meu-boi - bailado popular do nordeste, cujos personagens
principais são o boi, o médico, o cavalo-marinho, etc. A Iara -
sereia dos lagos e mares, cuja sedução atrai as pessoas para o
abismo; o Negrinho do Pastoreio - essa lenda é conhecida no sul do
país. É a história de um negrinho escravo que foi muito castigado
por haver tresmalhado um tordilho no rebanho que ele guardava, sendo
por isso enterrado vivo em uma cova cheia de formigas onde Nossa
senhora, sua madrinha, levou-o para o céu. Quando as crianças não
conseguem encontrar alguma coisa perdida, acende-se velas na estrada
para o Negrinho do Pastoreio. Saci Pererê - negrinho de uma perna
só, com um cachimbo na boca, que vai ao encontro dos viajantes
solitários armando-lhes ciladas pelo caminho.
Bibliografia:
MACHADO, I.C.; AZEVEDO, N. A.; FELIX, S.R. - Pradec - Programa Ativo
de Desenvolvimento Cultural, Ed. Círculo do Livro, São Paulo, vol.
III, pg 935-37, 19
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