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Na questão estética o abdome incomoda muito tanto homens
quanto as mulheres. Entretanto não é preciso ter um do tipo
“tanquinho” quando se deseja qualidade de vida.
Esse grupo muscular, formado pelo reto abdominal, oblíquos e
o transverso é de grande importância na vida da gente porque
participa de boa parte das funções vitais: da respiração ajudando a
expulsar os gases, da saúde da coluna aumentando a pressão
intra-abdominal e os espaços entre os discos intervertebrais, da
postura mantendo o equilíbrio nas tarefas comuns como andar,
abaixar, levantar, sentar etc. e da compressão das vísceras. A
micção, a defecação, o parto normal e a expiração forçada dependem
muito do bom estado do transverso do abdome assim como algumas
doenças se instalam por causa do mau funcionamento de órgãos que se
deslocam da sua posição anatômica. Numa barriga grande o braço de
resistência entre a lombar e o ponto mais distante aumenta gerando
hiperlordose lombar com todas as suas conseqüências inclusive a
hérnia de disco. A pressão intra-abdominal é a força resultante da
pressão do abdome e do diafragma, que protegem a coluna lombar
contra a pressão intra-discal e a força da gravidade.
Da mesma forma um abdome fraco sobrecarrega os músculos
intercostais e os paravertebrais e os eretores da espinha passam a
trabalhar sozinhos no dia a dia.
Outro fato é a questão do acúmulo de gordura abdominal estar
associado ao risco de complicações cardiovasculares. Os homens têm
mais facilidade e não é difícil comprovar isso. Essa é a chamada
obesidade andróide, tipo maçã, enquanto a mulher tende a acumular
gordura nos quadris, chamada de obesidade genóide, do tipo pêra.
A maneira mais prática de determinar o risco cardíaco é o
perímetro do abdome medido na altura do umbigo. Para os homens,
acima de 102 cm já é um fator de risco e para as mulheres acima de
88 cm.
A gordura abdominal pode estar associada ao diabetes tipo II
principalmente a visceral sendo essa mais difícil de ser dominada. A
combinação de exercícios aeróbios com musculação e/ou ginástica
localizada tem dado resultados melhores do que fazer só um tipo de
atividade.
Enrijecer essa musculatura sou partidário de aumentar a carga
e diminuir a repetição porque as pessoas hoje em dia não têm muito
tempo disponível para ficar fazendo séries intermináveis. Além do
mais, muita repetição, aumentam as chances de estresse muscular e/ou
contusões. Mais importante é fazer os abdominais com orientação
profissional e alcançar os objetivos desejados. O peso certo é
pessoal e depende das avaliações funcionais caso a caso.
Todo treinamento deve ser lento, gradual e progressivo com
estímulos crescentes e períodos de descanso programados visando a
recuperação do músculo para uma nova carga. O grupo muscular do
abdome não é diferente. Para quem gosta de abdominal todo dia,
pode-se alternar dias com cargas pesadas e sem carga. Os dias sem
carga funcionam como repouso ativo. Treinar todo dia com a mesma
carga e a mesma repetição, pode ser chato levando à desistência.
Nas aulas de ginástica localizada alguns profissionais deixam
para o final a execução dos exercícios abdominais, justamente o que
muitos alunos não gostam de fazer. Entretanto, se for utilizado o
método alternado por segmento usando séries curtas entre um
exercício e outro pode-se obter um maior número total de repetições
de abdominais durante toda uma aula, e o que é melhor. Sem os alunos
“sofrerem” tanto. Da mesma forma, é bastante discutível e não vejo
fundamento as aulas de 30 minutos “só” de abdominal destinada ao
público em geral, de certa forma virando moda em algumas academias a
título e novidade. Quem deseja “tirar” a barriguinha e os pneuzinhos
em volta, só abdominal não resolve porque o corpo não gasta gordura
só numa região. É preciso associar abdominal com outros exercícios
dinâmicos e até uma reeducação alimentar para perda de gordura
global. Uma aula de GAP (Glúteo, Abdome e Perna) tem mais chance de
dar certo do que só abdominal. O atleta é outro papo. Dependendo da
modalidade praticada, precisa ter “abdome de aço”, justificando
certos métodos rigorosos de fortalecimento e não é o caso quando se
busca saúde.
Enfim, um abdome defino chega a ser um sonho de consumo para
quase todo mundo, mas se o seu não é assim, não se preocupe. Você
faz parte da maioria das pessoas. É pena que com poucos abdominais
por dia poder-se-ia evitar doenças como hipertensão, diabetes,
problemas de coluna, de circulação além de melhorar a auto-estima.
Pense nisso!
Para Refletir:
Primeiro leia o manual de instruções, depois use. Normalmente
fazemos o contrário e dá tudo errado. Pense, planeje e execute.
Sobre a Ética:
Quem vive procurando erros dos outros não evolui porque perde muito
tempo fazendo isso.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos de
Moraes CREF1 RJ 003529
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