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Já vimos que o ser
humano tem a necessidade de se juntar aos semelhantes formando assim
os seus grupos de acordo com as atitudes, comportamentos e
principalmente a preferência por determinadas atividades. Mesmo
quando a gente encontra a atividade física certa as tentações e as
influências para desistir são muitas.
As pessoas
sedentárias o são porque não faz parte da nossa cultura cuidar da
saúde. Por isso, a falta de tempo vem como primeiro álibi fútil para
não fazer exercício físico tendo como conseqüência a desmotivação
mesmo sabendo que praticar qualquer atividade física seria muito bom
para a saúde. Motivação, ação e movimento, percepção e aprendizagem,
são consideradas a base do comportamento humano e serve para tudo na
vida.
Fazer atividade
física não faz parte da nossa cultura, mas faz da essência humana
porque a criança nasce, rola, levanta a cabeça, fica de quatro,
engatinha, fica de pé, anda, corre, cai, levanta, sobe no sofá, cai
de novo, salta e arremessa experimentando todo tipo de movimento. Se
ela for estimulada a brincar continuará a gostar de fazer atividade
física, o que realmente faz desde o nascimento. Isso faz parte da
teoria e o modelo de seqüência inter-habilidade bem aceita na
comunidade científica sendo o mais divulgado o de Gallahue – 1982. É
representado por uma pirâmide onde na base encontra-se o primeiro
estágio de movimentos reflexos do recém-nascido (agarrar), passando
pelos rudimentares (engatinhar marchar) os fundamentais (correr,
saltar, lançar, puxar, empurrar, trepar) e no topo os refinados
movimentos esportivos.
Os pais ficam
sempre orgulhosos com suas crias querendo ver logo os pequenos
andando e correndo de um lado para o outro, mas são os primeiros
também a cortar esse gosto confinando-os nos apartamentos dando-lhes
supostamente tudo do bom e do melhor desde que não saiam de casa.
Alguns pais cortam até mais cedo os colocando dentro daqueles
famigerados cercados por puro comodismo sob alegação de que a
criança vai “encher o saco” ou enchem a boca dizendo que estão
fazendo isso em nome da segurança justamente quando os pequenos mais
precisam de espaço para desenvolver os movimentos mais refinados, a
noção espacial e o equilíbrio.
Claro, se os pais
são sedentários não se espera que os filhos venham desenvolver o
gosto pela atividade física simplesmente porque já falta o exemplo
dentro de casa, a menos que na escola tenha a sorte de encontrar
bons educadores que despertem a motivação e o gosto pelo exercício
físico. Isso é possível.
A motivação passa
também por etapas ladeadas por anjinhos e diabinhos nos ouvidos da
gente. Primeiro vem uma pré-contemplação, etapa onde o sujeito teve
de alguma forma contato com a atividade física, mas não incorporou
na rotina diária. Nesse momento os diabinhos têm as suas chances
sussurrando: - Deixa de ser bobo! Exercício não serve pra nada! Do
outro lado os anjinhos o incentiva: - Viu como você se sentiu bem
depois do exercício? Faz de novo!
Os anjinhos
vencendo, a segunda etapa seria uma contemplação efetiva. Embora o
sujeito não esteja convencido já faz planos de mudança. Os diabinhos
ficam lá esperando qualquer descuido para atazanar o juízo. - Deixa
de ser bobo! Se exercício fosse bom os médicos também faziam. Os
anjinhos estão de prontidão: - São só alguns médicos que não fazem,
mas todos recomendam!
Na terceira etapa o
sujeito começa a mudar a sua rotina para não faltar mais aos
treinamentos fortalecendo os anjinhos. Nessa etapa os compromissos
são marcados inicialmente fora dos dias e/ou hora da ginástica
embora os diabinhos ainda tenham alguma chance de reverter essa
batalha.
A quarta etapa é
quando o sujeito já decidiu mudar para melhor a rotina do dia a dia
e o seu comportamento perante a atividade física. Embora os anjinhos
estejam ganhando porque o sujeito já experimenta a sensação de
prazer proporcionada pelas endorfinas que o exercício libera no
corpo os diabinhos ainda têm chances na presença de uma gripe ou
dias chuvosos. - Ta vendo? Você ficou gripado por causa do
exercício! Você já faltou ontem, fica na cama hoje também. Descansa
mais um pouco!
Diabinhos e
anjinhos estão o tempo todo perto da gente e Mesmo os surdos só
ouvem o que querem. Quem quer arranja meio, quem não quer arranja
desculpa. Pense nisso!
Para Refletir:
É melhor se arrepender de ter feito do que não ter pelo menos
tentado. No caso da ginástica isso nunca acontece. Moraes 2008.
Sobre a Ética:
Quem vive aos quatro ventos dizendo que é o bom pode ser como o
tambor. Faz muito barulho e oco por dentro. Moraes 2008.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos de
Moraes CREF1 RJ 003529
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