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Na matéria
anterior falei que a musculação também é boa para os cardíacos
levando-se em consideração a variável fisiológica do Duplo Produto.
Leitores me escreveram pedindo para melhor explicar essa questão
porque gostam de musculação e a um deles foi recomendado que parasse
de fazer por ser hipertenso.
Pois bem. Durante a
execução de qualquer exercício todos os músculos do corpo
principalmente os que vão entrar em ação vão precisar receber um
aporte sanguíneo maior, função executada pelo coração que responde
com o aumento da Freqüência Cardíaca FC e da Pressão Arterial
Sistólica PAS. Por conseqüência, o coração que também é formado por
massa muscular gasta energia para executar esse trabalho de aumentar
a Freqüência Cardíaca e a Pressão Arterial Sistólica. Como citado na
matéria, a equação para se saber qual o esforço cardíaco se calcula
multiplicando a FC pela PAS. O resultado é dado em milímetros de
mercúrio, valores que segundo os especialistas podem variar
aproximadamente de 6.000 batimentos por milímetro de mercúrio em
repouso considerando uma FC de 50bpm e uma PAS de 120mmHg até 40.000
batimentos por milímetro de mercúrio ou mais dependendo do exercício
e intensidade. Por medida de segurança aconselha-se não ultrapassar
valores de 30.000 milímetros de mercúrio sob risco de isquemia do
miocárdio. Ou seja, o exercício não pode ao mesmo tempo aumentar a
FC e PAS. Para isso, vimos há algumas semanas que nos exercícios
contínuos (aeróbios) devemos controlar a FC através de equações
atualizadas como a 208 - (0,7 x idade) para Freqüência Cardíaca
Máxima. Na musculação, onde ainda residem muitas dúvidas em razão de
mitos enraizados por anos a fio podemos controlar a intensidade de
diversas maneiras mesmo não sendo necessário estar medindo a Pressão
Arterial porque já se sabe através de pesquisas como se comporta o
coração nos diversos métodos, séries e cargas. Como citei a posição
do corpo sentada ou deitada a segunda é sempre favorável porque gera
um duplo produto menor. Além disso, existem trabalhos mostrando que
a forma de execução de exercício bilateral dos membros inferiores
costuma apresentar tendência a elevar os valores de Duplo Produto
sendo menos vantajoso do que a unilateral. Da mesma forma,
exercícios de elevação dos membros superiores feitos em pé quando
ultrapassam a linha média do coração o esforço cardíaco é maior
mesmo considerando estar ou não em vantagem ou desvantagem mecânica.
Isso é essencialmente importante na prescrição de exercícios para
hipertensos que não precisam abdicar da musculação apenas fazendo os
exercícios de modo mais adequado à situação.
O número de séries
também é outra variável a ser considerada. Existem trabalhos
concluindo que o número de séries maior que duas influencia o
aumento da FC e maior que uma o Duplo Produto. Portanto, o nível de
exigência cardíaca não depende apenas da carga de trabalho e sim do
número de séries e como são executados os exercícios.
O exercício seja
ele qual for, entre tantos benefícios, visa fortalecer os músculos e
o mesmo acontece com o coração que passa a bombear maior volume de
sangue por minuto. Dependendo do tipo de exercício, aeróbio,
anaeróbio e misto o coração passa a bombear diferentes volumes de
sangue que se reflete na FC e Duplo Produto. Já em 1971
fisiologistas franceses classificavam três tipos de corações
treinados: aeróbio com cavidades maiores, anaeróbio com as paredes
musculares mais grossas e o misto, com as paredes mais fortes e
câmaras maiores. O coração do sedentário ejeta em media de 650 a 700
ml. Dos ciclistas de estrada, maratonistas, nadadores de longas
distâncias e triatletas, mais de 900 ml. Corredores de 100, 200,
400m e fisiculturistas de 700 a 800 ml. Os meio fundistas e os que
fazem treinamentos mistos o coração pode ejetar de 800 a 900 ml em
cada contração ventricular.
Por conta dos
sinais clínicos idênticos ao coração doente, tais como bradicardia,
distúrbios de ritmo, ruídos sistólicos e zonas silenciosas, essas
alterações fisiológicas de quem pratica atividade física foram
durante muito tempo confundidas com doenças cardíacas. O “coração de
atleta” foi o termo encontrado para diferençar o coração doente do
sadio descoberto por Henschen em 1899 ao comprovar que o coração do
atleta é maior, bate menos vezes por minuto principalmente em
repouso, tem câmaras cardíacas maiores e mais eficientes. O coração
doente pode bater menos vezes por minuto por não ter força
suficiente ou por deficiência na estrutura que gera os batimentos
cardíacos chamado de nó sinusal. Portanto, quando fizer avaliação
médica procure médicos de sua inteira confiança de preferência
ligados à Medicina Esportiva. Da mesma forma que o seu profissional
de Educação Física deve ser habilitado e atualizado.
Para Refletir:
Pessoas evoluídas evitam o extremo, o excesso e a extravagância, mas
um dia fizeram tudo isso e aprenderam se tornando pessoas melhores.
Moraes 2009.
Sobre a Ética:
Quem finge saber o que não sabe não vai longe e rapidamente é
descoberto. Moraes 2009.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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Terrazul
Informática Ltda
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