|
Já vimos que o ser
humano primeiro engatinha, começa a se levantar, anda, corre e
depois conjuga os mais incríveis movimentos. Sendo assim, as
atividades motoras mais variadas que desenvolvem a coordenação
motora são as mais importantes na fase de descoberta do próprio
corpo. A criança aos 5/6 anos atinge 90 a 95% do cérebro adulto
enquanto o crescimento geral do corpo não atingiu nem a metade que
ocorre pelos chamados "surtos" de crescimento. Nos primeiros dois
anos, as crianças praticamente dobram sua altura, depois aos seis,
crescem mais gradualmente quando aos sete ocorre um breve aumento da
estatura chamado pelos especialistas em de "surto dos sete anos". É
finalmente, na puberdade, que o ser humano define sua altura, último
e definitivo impulso. A atividade física não competitiva, na justa
medida durante a infância, entre outros benefícios, estimula a
liberação hormonal e por conseqüência, o crescimento.
Um
dos fatores mais importantes é deixar as crianças escolherem a
modalidade esportiva, mas para isso é preciso criar oportunidade de
conhecerem as atividades. O treinamento delas deve ser de forma
lúdica do jeito que elas brincam. O pique - esconde, por exemplo,
nada mais é do que um intervalado sem, no entanto elas mesmas
perceberem. Quando cansam param determinando naturalmente o
intervalo para descanso. Crianças têm baixa concentração de lactato,
fator limitante dos treinamentos anaeróbios sistemáticos. A produção
da testosterona, hormônio ligado à força muscular, só começa a ser
significativa na adolescência, razão teórica para o
desaconselhamento de exercícios de força na primeira e segunda
infância. Além disso, elas têm débito cardíaco, volume sangüíneo e
concentração de hemoglobina menor. Alguns estudiosos concordam com
essa variação dos níveis de lactato durante as diversas faixas
etárias que tem tudo a ver com o treino de força: Aos três anos 1,8
mmoles, cinco anos 2,0 mmoles, sete anos 7 mmoles até atingir os 16
a 18 mmoles por volta dos 25 anos de idade.
Ao estimular ou
submeter crianças a treinamentos sistemáticos deve-se prestar
atenção que elas possuem menores capacidades de percepção ao
esforço, calor, hidratação e etc. Por si só, já são boas razões para
evitar esforços exagerados porque não são miniaturas de adulto e
assim sendo o treinamento não se baseia nessa relação e sim no bom
senso profissional.
A elaboração de
programas de treinamento para crianças, quando absolutamente
necessário, deve desenvolver o equilíbrio muscular, arco de
movimento completo, não provocar desconforto ou dor. A execução e
técnica dos movimentos refinados deve ser a mais correta possível e
a escolha da atividade partir da própria criança.
Na
adolescência, os melhores métodos no desenvolvimento da força, a
princípio, são o alternado por segmento e o duplo recrutamento.
Enquanto persistir a fase de crescimento deve-se evitar as
sobrecargas longitudinais que é o sentido de crescimento ósseo mais
importante, mas tudo deve seguir a ordem da conjugação do
conhecimento com o bom senso. Alguns médicos alegam, e de certa
forma se apressam em condenar, certas atividades ditas de impacto
advogando que as cartilagens e as cabeças dos ossos longos
(epífises), sendo as partes mais vulneráveis do esqueleto possam
sofrer lesão ocasionando a parada no crescimento. Entretanto, não
existem registros médicos e ou científicos suficientes para se
afirmar isso. Quase sempre se referem e condenam a musculação.
Entretanto, outras atividades talvez com mais impacto ainda, tais
como o futebol, o vôlei, o basquete e os movimentos envolvendo
saltos, a criança pratica sem problema nenhum. De mais a mais, as
proporções corporais, os braços de alavancas e a força relativa de
um corpo em desenvolvimento não podem ser comparados ao do adulto.
Portanto, deve-se ter muito cuidado ao afirmar que determinadas
modalidades não são compatíveis com a criança ou a determinadas
idades. Por vezes aparecem certas reportagens na televisão mostrando
crianças que correm longas distâncias, levantam pesos e/ou fazem
coisas extraordinárias. São casos isolados e pontos fora da curva e
não podem ser levados como verdade absoluta como ponto de referência
para todo mundo. O mais importante é que o profissional responsável
por treinamento infantil tenha experiência, conhecimento e bom
senso.
Para refletir:
As crianças resolvem seus problemas sociais com muita facilidade.
Brigam, ficam de bem. Brincam, se organizam, criam na hora regras de
jogo e todas acatam. Não nascem preconceituosas. Porque não
aprendemos com elas? Moraes 2008.
Sobre a Ética:
“A pobreza não é, necessariamente vergonhosa. Há muito pobre sem
vergonha.” Millor Fernandes.
Crédito das Imagens:
www.unimedfs.com.br/noti2.php?tip_noti=6
http://blogvitorlongo.blogspot.com/2008_03_01_archive.html
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos de
Moraes CREF1 RJ 003529
www.noticiasdocorpo.com.br
|