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Vimos na semana
passada que a dor muscular precisa ser respeitada e as formas de
amenizá-las. Entre os procedimentos a hidroginástica tem boa
reputação porque as propriedades físicas da água proporcionam um
estado de relaxamento. A hidroginástica é bem aceita no treinamento
de atletas no mundo inteiro e por aqui entre os técnicos ligados ao
voleibol e ao futebol para recuperar seus atletas.
É bom lembrar que
dor é quase sempre um sinal de alarme e não deve ser de todo
desprezada, mesmo aquela que a gente classifica como “dor gostosa”.
Alguma coisa aconteceu. A atitude seguinte deve ser precedida pelo
bom senso e qual de nós nunca errou nessas decisões?
A Dor Muscular
Tardia atinge indistintamente qualquer um, mas o povão sente mais
por estar menos acostumado a esforços extras como em determinadas
provas com muita subida e/ou descidas. O atleta de elite é um caso à
parte porque precisa estar sempre tentando ultrapassar seus limites
e a dor muscular quase sempre é uma constante nas suas vidas. Sentir
dor de vez em quando é legal, mas sempre fica por conta de outros
objetivos além da saúde.
Não devemos
confundir dor com performance positiva como acontece com a frase na
"boca do povo" no público de academia: “A ginástica de ontem foi
boa! Estou todo doído”. Se estiver todo doído a ginástica não foi
boa.
É importante
lembrar que, ao contrário do que se imaginava a dor muscular pode
não estar relacionada com a concentração de lactato sangüíneo e sim
com o tipo de contração muscular repetitiva e/ou amplitude articular
exagerada. Fisiologistas importantes concordam que as contrações
excêntricas, como por exemplo correr na descida, não aumenta a
concentração de lactato mas geram dores musculares. As contrações
concêntricas, correr no plano, pode aumentar muito a concentração de
lactato mas as dores musculares são menos percebidas. Portanto, em
qualquer corrida, com ou sem ladeiras e descidas, não são poucos os
atletas que largam muito forte tentando melhorar seus tempos ou
aparecer nas fotos de jornais e na televisão. Esses, além de não
melhorarem seus desempenhos finais são os primeiros candidatos às
dores musculares e lesões. Acho que podemos aprender alguma coisa
com isso.
A
presença da dor muscular sempre nos reflete a identificar a causa.
Os adeptos à musculação, que sempre aqui eu incentivo, devem tentar
observar se a dor muscular teve origem nessa atividade ou na
corrida. Aumento abrupto de carga, repetições excessivas, movimento
articular exagerado, o não respeito ao descanso adequado ou
qualidade inferior dos aparelhos normalmente são as causas
principais de dores musculares na musculação.
Na corrida outras
causas devem ser investigadas tais como o calçado muito gasto,
inadequado ao tipo de pisada ou novinho em folha com estréia numa
competição. Além disso os desvios posturais, anormalidades
antropométricas e biomecânicas podem ser causas de dores musculares
que podem aparecer mesmo depois de vários anos de treinamento.
Fazendo uma analogia com o automóvel algumas peças se desgastam e
não é incomum um corredor depois de vários anos de treinamento
acostumado a correr sempre a mesma quilometragem começar a sentir
dores nunca antes sentidas. Alguns grupos musculares com o passar
dos anos podem ficar enfraquecidos e reclamar com dores.
Investiga-se a causa e recupera-se o músculo com treino adequado. No
carro a gente troca a peça.
Enfim, correr é um
dos movimentos mais naturais do ser humano que segundo a ciência
foi, por assim dizer, projetado para isso tendo ao longo dos anos
desenvolvido tendões e ligamentos elásticos para permitir amplitude
de passada, crânio capaz de prevenir superaquecimento, glúteos
maiores e antebraços mais curtos para estabilizar o movimento e
pernas mais longas para correr mais rápido. Uma evolução a partir do
Australopithecus que corria para caçar e/ou fugir dos predadores,
pois não subia em árvores como fazem os macacos. A gente não sabe se
o Australopithecus sentia dores musculares, mas nós sentimos e
considera-se uma evolução do sistema de defesa do organismo. Afora
isso, que de vez em quando dá uma sensação de satisfação e dever
cumprido depois de um recorde pessoal, isso dá. Aí não importa o
nome técnico da dor e quanto tempo ela vai durar. Importa é que ás
vezes a gente fica feliz com ela.
Para Refletir:
Pessoas esclarecidas pensam antes de falar e normalmente acertam.
Pessoas não esclarecidas não pensam, falam demais e normalmente
erram. Moraes 2009.
Sobre a Ética:
Pessoas evoluídas não se justificam porque é perda de tempo. Para os
amigos não precisa, os inimigos não acreditam e não faz a menor
diferença. Moraes 2009.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
www.noticiasdocorpo.com.br
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