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No domingo passado
assistindo um programa na “telinha” da TV vi um empresário que
resolveu locar jogos de computador do tipo videogame para festas
infantis. A idéia está sendo um sucesso e o empresário tendo que
expandir seu negócio ganhando cada vez mais dinheiro. Até aí nada de
mais, tem mesmo é que ganhar pois a idéia que foi de seu filho
explora justamente a tendência das pessoas se tornarem sedentárias.
Como se não bastasse dormir de 7 a 8 horas, sentar para tomar café,
ir para a escola sentado no carro ou no ônibus escolar, sentar para
assistir às aulas e voltar sentado, a criança que não é de ferro
depois disso tudo deve estar cansada e vai dormir um pouquinho.
Depois é fazer os deveres de casa que inevitavelmente passa pelo
computador. Já que está no computador, entra num site de
relacionamento comendo pipoca bebendo refrigerante. Claro, depois
não dá tempo de fazer mais nada e então é só dormir de novo. Fim de
semana, festinha na casa do colega. Brincar que nada! Tem os tais
jogos de computador que não são os da nova geração Wii que simulam
gestos esportivos! Fala sério! Que futuro essas criança têm em
termos de saúde? Se por um lado ela está desenvolvendo o raciocínio
rápido usando o computador, por outro o seu desenvolvimento
psicomotor está prejudicado, pois a criança precisa de movimento
desde a mais tenra idade.
O ser humano não é
só corpo cheio de músculos, ossos, órgãos e sangue. Existe um ser
emocional, social, fisiológico, afetivo, cognitivo, espiritual e
muito mais. Aí entra a psicomotricidade, uma ciência que estuda o
comportamento global humano capaz de determinar e coordenar
mentalmente os movimentos corporais.
Apesar de antiga é
uma ciência que na escola fundamental brasileira começou fortemente
a ser difundida a partir da década de 80, pois antes existiram as
correntes do ser humano forte, fisicamente sadio capaz de reproduzir
novos seres igualmente sadios que pudesse representar uma nação.
Houve também o tempo da influência militar pautada na formação de um
exército forte e sadio a serviço de um marketing do sistema de
governo durante a ditadura. O cenário político dos anos 80 trouxe
novas formas de pensar.
Se formos pesquisar
o que é e/ou o que significa a psicomotricidade e sua relação com a
Educação Física vamos encontrar diversas citações mais ou menos
complicadas, que no fundo querem dizer a mesma coisa. Prefiro as
mais simples. “É a educação pelo movimento consciente visando
melhorar a eficiência e diminuir o gasto energético”. Sendo assim, a
Educação Física deve atender as necessidades básicas da criança a
seu tempo de maturação.

Muitos pais “enchem
a boca” para dizer que seus filhos são inteligentes e por isso os
estimulam a usar a informática. Até aí nada de mais. Não estou me
opondo à tecnologia, e sim ao seu mau uso. A inteligência se
desenvolve não só com o próprio pensar e interpretar, mas com o
movimento corporal. Sabe-se que qualquer movimento que resulte em
ação corporal parte da inteligência. Observe por exemplo crianças
brincando de pique. As mais espertas são ágeis e quando perseguidas
não são alcançadas quando usam a inteligência para driblar
perseguidores teoricamente mais rápidos com perfeito domínio
espacial dos seus movimentos e do seu perseguidor. Segundo a teoria
do americano Howard Garnir, da Universidade de Harvard, a
inteligência humana é dividida em sete tipos: verbal (da fala e
escrita), a lógica (a dos números), a musical (dos músicos), a
cibernética (coordenação motora fina), a espacial (do artista
plástico), a interpessoal (a dos líderes) e a intrapessoal
(conhecimento de si mesmo). O desenvolvimento da inteligência e a
relação da psicomotricidade relacionada com o movimento começam cedo
e instintivamente. Mal começa a andar a criança faz todo tipo de
movimento explorando seus espaços e obstáculos caindo e levantando.
A elas precisamos dar oportunidade de brincar nas horas de lazer, na
Educação Física escolar e nas festas infantis. Será que brincadeiras
como batatinha frita um dois três, queimada, chicotinho queimado,
estátua, bola ao alvo, amarelinha, pular corda, dança das cadeiras,
bambolê, peteca, corrida do saco, corrida do ovo na colher,
cabra-cega, corrida do saci-pererê entre tantas outras que estimulam
a inteligência e a psicomotricidade vão desaparecer? Pelo andar da
carruagem parece que sim, pois as crianças estão cada vez mais
gordas. Pra que tanta inteligência virtual se desse jeito viverão
tão pouco?
Para Refletir:
“Nem sempre vence o mais forte. Vence quem estrategicamente procura
conhecer bem o inimigo. Assim é o medo. Ele pode derrotá-lo ou fazer
com que você o vença conhecendo-o melhor”. Moraes 2010.
Sobre a Ética:
Até para fazer o errado é preciso ser mais inteligente, conhecer bem
o regulamento e/ou as normas para saber como burlar. Fazer o certo
não precisa pensar. Moraes 2010.
Cartas para:
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Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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Terrazul
Informática Ltda
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