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Por ser uma atividade
muito dinâmica a procura pelo spinning certa época virou uma febre
não tardando aparecer casos de lesões graves ou afastamentos
temporários, muito mais pelos excessos cometidos e/ou descuido na
orientação profissional da atividade. Na sala de aula o responsável
é sempre o professor.
Um dos veículos mais
práticos e baratos do mundo é a bicicleta que desde a sua invenção
em 1791 pelo Monsieur de Sivrac e aperfeiçoada em 1817 pelo Barão de
Von Drais, vem sofrendo modificações cada vez mais sofisticadas
proporcionando conforto e segurança a quem pedala. Da mesma forma, o
treinamento físico em academia também se aperfeiçoa surgindo
novidades complementares às tarefas diárias e às modalidades
esportivas. Assim, nos anos 90 surgiu o spinning, um programa de
treinamento físico em bicicleta estacionária especialmente
construída para simular as situações vividas de um ciclista na
estrada criada por Johnny G. e patenteado pela empresa americana Mad
Dogg Athletics. O equipamento tem como característica principal
rodas pesadas, guidom e selim ajustáveis. Essas diferenças
proporcionam melhor cadência, giros mais altos e variação de
objetivos fisiológicos e valências físicas. Em paralelo, com
características similares surgiu o RPM do sistema Body Systems e o
ciclismo In Door, esta sem a roupagem de uma visão monopolista.
Entre as lesões ocorridas
nos praticantes de ciclismo outdoor e In Door, algumas são comuns às
duas modalidades tais como as dores lombares e/ou cervicais,
contraturas, distensões, tendinites e dormência entre as pernas. A
posição de pegada no guidom pode gerar uma pressão prolongada
levando a uma neuropatia progressiva nas mãos conhecida por síndrome
do túnel do carpo. Estudos vêm sendo feitos em diversas regiões com
números próximos desses: Dores lombares 65%, problemas nas pernas e
joelho 18%, dores no pescoço 9%, nas costas como um todo 5% e
desconforto na posição sentada 3%.
Entretanto, boa parte
desses problemas poderia ser evitado por se tratar de excessos
cometidos, falta de orientação e não atenção às avaliações
funcionais. Algumas lesões estão ligadas às alterações biomecânicas,
desequilíbrios musculares com fraqueza e/ou encurtamentos de cadeias
musculares, desalinhamentos de joelho, pés planos, eqüino ou
pronados e ainda os casos de perna mais curta que a outra.
Convenhamos. Esses detalhes, na maioria das vezes, não são
observados quando um aluno se apresenta para a aula de spinning. Já
outros problemas partem da desatenção do aluno tais como altura do
banco e distância do selim para o guidom, excesso de aulas,
deixar-se levar às intensidades maiores do que a própria condição
física permite em virtude do clima por vezes alucinante. Embora
esses procedimentos sejam de responsabilidade do professor observar,
o aluno deve procurar ter bom senso uma vez que, entende-se estar
fazendo atividade física visando principalmente à qualidade de vida.
O professor Thiago Martins em Petrópolis é um os muitos que zelam
pela segurança dos alunos.
Apesar da evolução das
bicicletas estacionárias usadas no spinning, RPM e ciclismo In Door,
os ajustes ergonômicos ainda são limitados deixando de atender aos
praticantes muito baixos e os muito altos cujos braços de alavancas
das pernas não se adequam a nenhuma variação mecânica. Com isso,
além da transmissão da força dos músculos para os pedais não se
processar de modo eficiente, as chances de lesão aumentam. Não basta
simplesmente ajustar altura do selim e a distância para guidom. O
triângulo formado pelo quadril, empunhadura e pedal é importante
para uma perfeita transmissão de força. Nesse componente, o tamanho
dos “cranks” (pedivelas) também deve ser adequado às dimensões das
pernas do aluno. Pernas mais longas, “cranks” mais longos, pernas
mais curtas, cranks mais curtos. Na absoluta maioria das bicicletas
estacionárias essa peça tem um tamanho padronizado. Depois de
ajustada a bicicleta, estando o pedal e o “crank” na horizontal, o
ideal é que o eixo de pedal esteja verticalmente alinhado com o
joelho. Convenhamos. Alguém se preocupa com isso? Em longo prazo, os
movimentos repetitivos podem causar dor no joelho por causa das
forças vetoriais do fêmur contra a patela. O trabalho muscular nas
pernas também é diferenciado. Os gastrocnêmios trabalham 37%, os
posteriores de coxa e os vastos laterais 18%, retos femurais 15% e
os glúteos máximo 12%. Boa parte do ciclo o vasto medial trabalha
perto de 56%. Os músculos do tronco e dos membros superiores fazem
um trabalho isométrico de sustentação.
Não são apenas as lesões
que as pessoas deveriam se preocupar. A higiene anda muito mal em
algumas salas de spinning e podem se transformar em fonte doenças
transmitidas por diversos tipos de microrganismos. Pesquisa
desenvolvida no Centro Integrado da Universidade Gama Filho (UGF) em
academias das zonas Norte do Rio de Janeiro detectou a existência de
fungos, vírus e bactérias em vários acessórios e aparelhos de
ginástica chegando a números alarmantes de mais de 1600
microrganismos por cm² em alguns selins sendo que o número de 100
por cm² já ser considerada carga microbiana alta. O calor úmido e o
suor em salas mal ventiladas por si só se transforma em ambiente
ideal para a proliferação dos microrganismos responsáveis pela
transmissão de diversas doenças. Portanto, cuide-se.
Para Refletir: Diziam lá os meus avós
que em “boca fechada não entra mosca”. Eu diria que o mais
importante é o que dela não sai. Besteira, além de em certas
situações manter-se calado ser um sinal de inteligência. (Moraes
2010)
Sobre a Ética: Fórmula é a forma que os
estudiosos encontram de complicar as coisas simples praticadas todo
dia pelas pessoas experientes. (Moraes 2010).
Pesquisa detectou contaminação em 44,4% das amostras de aparelhos
das academias.
Acesse:
http://www.educacaofisica.com.br/noticias_mostrar.asp?id=9649
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Luiz Carlos de Moraes CREF1 RJ 003529
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