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Fale quem quiser falar. Nas academias já inventaram de tudo em
termos de atividade física sempre com o objetivo de tentar atrair um
público cada vez mais ávido por mudanças. As novidades aparecem e
depois desaparecem, mas a musculação e a boa e antiga ginástica
localizada nunca sai de moda porque não tem como fugir dela.
A primeira academia que se tem notícia surgiu na Rua Duvivier em
Copacabana. Quem é da área e ainda não tem cabelos brancos como eu
pelo menos algum dia já ouviu falar em ginástica sueca que foi um
grande trampolim para o que se conhece hoje. Per Henrik Ling
(1766-1839) levou para a Suécia as idéias do alemão Guts Muths após
contato com o instituto de Nachtegall. Ling dividia sua ginástica em
quatro partes: a pedagógica, voltada para a saúde evitando vícios
posturais e doenças, a militar incluindo o tiro e a esgrima, a
médica baseada na pedagógica evitando também as doenças e a estética
preocupada com a graça do corpo que parece imperar até hoje. Alguns
fundamentos ideológicos de Ling ainda valem tais como o
desenvolvimento harmônico e racional, a progressão pedagógica da
ginástica e o estado de alegria que deve imperar numa aula. Claro,
isso depende muito do austral e o carisma do profissional de
Educação Física.
A ginástica localizada parece evoluir por década. Nos anos 60 e 70
recebia a influência da Calistenia, do grego Kallos (belo), Sthenos
(força) acrescentado o sufixo “ia” segundo Marinho (1980). Nos anos
80 foi a vez da Ginástica Aeróbica de Alto Impacto invadir as
academias com músicas e coreografias alucinantes. O ímpeto somado à
falta de conhecimento da época deixou muita gente lesionada.
Substituída pela de Baixo Impacto ainda no final da década de 80
também não emplacou por muito tempo porque na década de 90 veio o
step evitando os erros do passado.
Hoje, a localizada segue a fundamentação teórica da musculação e não
dá para fugir disso, apesar das várias tentativas de monopolizar o
treinamento e/ou a metodologia da Educação Física pelos programas
prontos do Body Systems acompanhado de um Marketing muito forte. É
preciso estar atento a isso porque o profissional de Educação Física
brasileiro é infinitamente criativo e não precisa de programas
prontos feitos receita de bolo.
A
ginástica localizada segue princípios e progressão pedagógica para
não virar uma salada de exercícios. Para isso, tem plano de aula
visando os objetivos a serem alcançados, as valências físicas a
serem desenvolvidas, os grupamentos musculares a serem trabalhados,
acessórios utilizados e trilha sonora com BPM musical bem escolhido.
As vantagens da localizada são muitas, entre elas a de desenvolver
os grupos musculares de forma harmoniosa. As academias estão cheias
de novidades, mas a musculação e a ginástica localizada nas suas
essências são eternas.
Outra vantagem da localizada é de poder atender a vários objetivos
dos clientes tanto os que procuram a atividade para emagrecer,
desenvolver força, resistência muscular localizada ou simplesmente
atender aos apelos estéticos. É perfeitamente possível, com alguma
limitação, aumentar a força e a massa magra manipulando a carga, a
repetição e a velocidade de execução. Para isso é importante usar
músicas com BPM baixo como as usadas nas aulas de Street Funk com
112 BPM dando ritmo lento à execução.
Para quem se preocupa com as calorias, trabalhos bem conduzidos com
o uso de um analisador metabólico mostraram que gasto médio da
ginástica localizada fica entre 350 a 500 Kcal/hora. Claro, depende
do fundamento da aula, intensidade, carga, ritmo e peso corporal de
cada um. Como geralmente as aulas são dinâmicas aplicando o método
Alternado por Segmento, cujo princípio é não parar, o gasto de
calorias presume-se ser até mais alto. No mais, é curtir essa
atividade que pelo menos tem fundamento e qualquer invenção,
querendo ou não, tem que partir dos exercícios ginásticos mais
simples e mais antigos usados na ginástica localizada. A diferença
do hoje para o ontem é que alguns exercícios que fazíamos os estudos
mostraram serem nocivos principalmente à coluna lombar. Não dá para
reinventar a roda. Dá para aperfeiçoar.
Para Refletir:
Não podemos planejar o futuro sem rever o passado. Os erros servem
como lição, os acertos devem ser aperfeiçoados. (Moraes 2010)
Sobre a Ética: Estudar e se aperfeiçoar
é importante, mas se não colocar em prática não adianta nada. Os
doutores demonstram suas teorias a partir das coisas que alguém
colocou em prática. (Moraes 2010).
Cartas para:
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Luiz Carlos de Moraes CREF1 RJ 003529
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