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A gente sabe,
porque já não é mais novidade, que o índice de idosos vem aumentando
a cada ano assim como a expectativa de vida dos brasileiros que já
passa dos 71 anos. Embora seja verdade que muitos estejam chegando a
essa idade com a saúde abalada e sem assistência médica adequada,
boa parcela está dando a volta por cima trabalhando, continuando
útil à sociedade e praticando atividade física. Nas corridas
rústicas esse fato é bem marcante na faixa etária acima dos 60 anos
que recebe cada vez mais adeptos. E não é só isso. É a faixa etária
que mais evolui os tempos na maioria das corridas mais importante do
país tais como a própria São Silvestre. Dados colhidos na prova de
2006 deram conta que essa faixa etária diminuiu os tempos em três
minutos para os homens e oito para as mulheres comparando com os
tempos da mesma prova e percurso de 1998. As outras faixas etárias
da maioria dos adultos, percentualmente evoluíram muito pouco assim
como os próprios atletas de elite.
Outro fato que
comprova o crescimento de idosos nas corridas é que não se admite
mais corridas com faixas etárias terminando aos 60 anos. Ela tem que
ser subdivida em mais quatro que vão dos 60 a 64, 65 a 69, 70 a 79 e
acima dos 80 como aconteceu na São silvestre 2008 onde 13 saudáveis
senhores terminaram a prova sendo que o primeiro com o tempo de
1h32min08s. Fala Sério! Eles podem ser chamados de velhos? Não são
poucos nessas faixas etárias que já reclama não conseguir mais subir
no pódio em primeiro lugar como acontecia há poucos anos. Agora têm
que treinar mais se quiserem ganhar.
Entretanto, não se
pode comemorar plenamente. Por conta desse crescimento de adeptos,
as contusões e lesões também vêm aumentando, muito mais por falta de
um treinamento adequado. O tempo cobra o seu preço nas alterações
biológicas com o desgaste normal das articulações, queda da força
física e diminuição da massa muscular. Se o corredor mais velho sair
correndo aleatoriamente vai quebrar com mais facilidade que o jovem
adulto.
É bem estabelecido
que o avanço da idade induza a perda de massa muscular num processo
conhecido por sarcopenia significando “perda de carne” (sarx =
carne, penia = perda) cuja origem pode ser multifatorial sendo a
idade uma delas. Em bom português, de forma geral os músculos vão
"secando". Ou seja, perde-se massa muscular, sendo esse processo
acelerado com o sedentarismo, vida irregular, estresse e etc. Além
disso, a própria corrida pode ser um fator de aceleração de perda de
massa muscular na terceira idade por conta do processo conhecido por
catabolismo.
Além desses fatores
sabe-se que corredores de longa distância também têm suas desordens
musculares por conta da própria corrida. Boa parte fica meio
corcunda e têm força desequilibrada em vários grupos musculares.
Horas de treinamento leva o corredor assumir postura inadequada. Na
linguagem popular é quando dizemos que “o corredor sentou”. As
costas ficam curvadas, os braços arriados e os joelhos flexionados
em angulação abaixo do normal.
Todas essas
alterações acabam interferindo no sistema músculo esquelético e na
coordenação levando o idoso a correr com uma passada mais curta e
arrastada. Resultado. Num primeiro momento quando começa a correr,
há um progresso muito rápido e o próprio entusiasmo é que pode
levá-lo à regressão do treinamento e tempos obtidos inicialmente em
determinadas corridas.
Claro, não
significa que o corredor mais velho não possa continuar correndo. Os
tempos que estão melhorando são dos mais disciplinados. Uma das
soluções, como já conversamos em outras edições, é a prática da
musculação conjugada com o treinamento da corrida. Nas academias o
grupo etário que mais cresce e principalmente permanece por mais de
seis meses é também dos idosos. Entre os jovens existe mais
rotatividade por conta da característica de querer resultado rápido
e, obviamente, não conseguem. Os mais velhos, com paciência ficam e
se beneficiam dos resultados que aparecem mais devagar, mas
aparecem. Quando comparados corredores de 60 anos mais velozes com
os menos velozes, alguns estudos mostram que os benefícios são
maiores nos mais velozes. Portanto, “sebo nas canelas” que a turma
“sex”, “set”, e octogenária vem aí. Fazendo uma alusão ao cinema,
eles são os “Idosos Velozes e Furiosos”. Corram mais ou saiam da
frente deles!
Para Refletir:
Quem nasce torto e não endireita com as oportunidades também não
pode endireitar os outros simplesmente porque não pode dar exemplo
nenhum. Moraes 2009.
Sobre a Ética:
Vantagem não é receber honras, e sim fazer por merecê-las. Certas
honrarias têm cheiro de politicagem. Moraes 2009.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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Terrazul
Informática Ltda
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