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A cada nova
estação, e não mais apenas no verão, a mídia não perde tempo em
explorar a exibição dos corpos esculturais inacessíveis à maioria
das pessoas comuns levando à falsa idéia de “corpo sarado” ser
sinônimo de saúde. Revistas conceituadas com grande tiragem de
exemplares semanais são formadoras de opinião e não perdem tempo nas
chamadas do tipo: “Adeus à celulite!” “Emagreça sem fazer força!”
“Injeções para secar e ficar linda!” “Coma de tudo e emagreça!”
“Perca barriga com 5 minutos de exercício!” É a indústria da
enganação!
A mídia não
perdoa fomentando cada vez mais a propaganda enganosa. Além desse
corpo não ser para todas as pessoas, as próprias modelos, com os
recursos de informática de hoje, nenhuma foto é publicada sem ser
tratada no “fotoshop”. Nenhuma pinta, sarda, mancha, estria e muito
menos rugas. Tudo muito artificial “ditando” os caminhos no mundo
das aparências. Isso lembra ou não uma espécie de nazismo, no caso
doutrinando uma perfeição de corpo? Além disso, parece estar
existindo uma espécie de vale tudo pela estética. Publicam-se
páginas inteiras até com supostos depoimentos médicos para fidelizar
e propagar as intervenções cirúrgicas da moda com pouquíssimos
alertas para os riscos. Anunciam-se na televisão, usando a imagem de
pessoas famosas, que se presta a isso, produtos que sabidamente não
vão “definir” o corpo. Para fugir de um possível processo, ao
produto acompanha um guia de alimentação e de exercícios. Se alguém
reclamar na justiça que não deu resultado, e não vai dar mesmo, o
fabricante usa como álibi que o reclamante não fez os exercícios e a
dieta sugerida.
Como se não
bastasse, está havendo, já há algum tempo, uma exibição inadequada
da sensualidade feminina que, de certa forma acaba vulgarizando a
mulher. Claro, o que é belo deve ser mesmo mostrado, mas tem o
lugar, público, hora e veículo certo. Atualmente as revistas de nu
feminino têm pouca diferença para algumas que tratam de boa forma.
Por conta dessa
ditadura social, as academias de um modo geral, ainda são vistas com
o rótulo da estética, onde as pessoas querem só emagrecer e/ou ficar
forte embaladas e induzidas por essa propaganda enganosa e perversa.
Já citei algumas
vezes. A sociedade mudou, os anseios do povo mudaram, mas a visão de
alguns profissionais de Educação Física não. Segundo Barbanti, “o
profissional de Educação Física não tem a preocupação de oferecer
conhecimento adequado sobre o relacionamento entre a prática de
exercício e a saúde”. Não são todos, mas os que não têm essa
preocupação o fazem para sobreviver e acabam também seduzidos a
prescrever programas visando apenas corpo bonito. Como a grande
maioria das pessoas não consegue o tão sonhado corpo das revistas,
acabam desistindo. É um nicho de mercado que na verdade procura na
atividade física realmente a saúde.
Ter saúde
verdadeiramente não significa exibir um corpo rigorosamente
perfeito. Não podemos esquecer que somos corpo e mente. De que
adianta ser “belíssima” ou “belíssimo” sem nada dentro da cabeça? A
maioria das pessoas está estressada encurralada pela cobrança cada
vez maior do trabalho e da tecnologia da informação.
Para mudar isso
é preciso que os profissionais de saúde, incluído os de Educação
Física, invistam na Educação do corpo como meio de promoção ao bem
estar sem necessariamente estar atrelado à estética ou um padrão de
corpo ditado pela mídia. Já disse em outras matérias que o
profissional de Educação Física “tem a faca e o queijo na mão”. É
nele que a população confia num primeiro momento sendo um potencial
formador de opinião e elemento capaz de mudar essa tendência que
estamos apreciando na mídia. Até às políticas públicas é preciso
estar de olhos bem abertos porque na maioria das vezes quando elas
acontecem têm intenções de promover os sistemas de governo, e não a
preocupação real com a saúde do cidadão. Quantos governos ao longo
da história usaram esse artifício? Estamos assistindo pacificamente
a inversão dos valores na saúde e de alguns profissionais que dela
cuidam escondidos na suposta felicidade das aparências.
É preciso estar
atento. Profissional de saúde que faz propaganda de um produto
“emagrecedor” é passível de problemas com a justiça, pois tem
obrigação de saber se o produto tem ou não respaldo científico.
Para refletir:
O encontro freqüente com o perigo faz parte da vida. Só os fortes e
audaciosos vencem cada obstáculo tornando-os cada vez menos
assustadores. Moraes 2008.
Sobre a Ética
– O profissional de saúde deve estar sempre comprometido com a
seriedade prestando o melhor serviço a um número cada vez maior de
pessoas. Se não for assim é melhor escolher outra profissão.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos de
Moraes CREF1 RJ 003529
Terrazul
Informática Ltda
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