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Todo corredor seja
ele de qualquer categoria por vezes pensa já ter chegado ao seu
limite ou, como todo ser mortal de vez em quando também tem seus
altos e baixos chegando até mesmo pensar em desistir ou que não
gosta mais da corrida especialmente quando chegamos ao ponto de
correr todo dia. Convenhamos. Não há nada de errado nisso, mas é que
correr todo dia por anos a fio um dia cansa. Isso acontece com
qualquer um como já aconteceu também comigo e foi quando, para não
ficar parado passei a nadar. Não demorou muito tempo para eu
descobrir que a natação não era a “minha praia” e ela serviria até
como um complemento para a corrida. Daí a tese que sempre defendo da
variação de atividades que, de alguma forma se completam como é o
caso da corrida e a musculação com suas enormes variedades de
treinamento. Média moderada, curta forte, intervalado, fartleck,
ladeira, cross, longão e etc. fazem parte do vocabulário do corredor
identificando cada um deles um método de treinamento. Na musculação
também existem os métodos associados a séries, carga e intervalos,
cada um visando um objetivo diferente. Por isso é importante
conhecer pelo menos um pouco do fundamento da musculação para não
escolher métodos que possa se chocar com a corrida e que ao invés de
ajudar acaba atrapalhando mais ainda. A corrida os leitores dessa
revista conhecem bem.
Nos dias em que não
estamos muito a fim de correr, mas precisamos fazer alguma coisa dá,
por exemplo para correr um mínimo de 10 minutos e fazer musculação
de tal forma que um ajuda e/ou completa o outro. A forma tradicional
da musculação de três séries de 8 a 12 repetições com intervalos de
“x” segundos definitivamente não interessa ao corredor porque vai
contra o seu perfil e pode ser uma chatice ainda maior. Sendo assim
o método que considero ideal ainda é o circuito alternando os
segmentos que também já comentei em edições anteriores. Entretanto,
o próprio método permite variações de acordo com o objetivo e
momento que o corredor esteja vivenciando.
Numa
outra época em que eu também estava “de saco cheio” da corrida
comecei a correr 10 minutos na esteira, depois fazia uma série
mínima de musculação e em seguida corria mais 10 minutos.
Interessante é que na segunda corrida de 10 minutos me sentia bem
melhor que a primeira.
A série mínima era
de 15 repetições desenvolvimento completo, 15 vezes rosca bíceps, 20
abdominais, 15 vezes na rosca tríceps, 15 vezes a subida de banco,
20 abdominais, 15 vezes puxada vertical ou remada, 15 flexões de
quadril em cada perna, 15 vezes a flexão de joelho, 15 extensões de
tornozelo, 15 vezes o crucifixo, 20 abdominais, 15 agachamentos e
depois voltava a correr os 10 minutos. Tudo sem intervalo. Esse
treinamento é muito fácil porque é série única, bem leve e o tempo
total não passa de 40 minutos, o suficiente para manter o corredor
ativo enquanto estiver passando por momento de desmotivação, fazendo
transição de período, não esteja com muito tempo por causa de
compromisso com o trabalho, escola ou família e/ou se recuperando de
algum mal.
Quem tem uma academia disponível deve escolher uma
carga “leve” ou “boa” e nunca “pesada” determinada por uma Escala de
Borg. Ou seja, fácil de fazer. Da mesma forma a corrida, como se
trata de uma situação especial que não estamos “muito a fim”, deve
ser de leve a moderada sem ficar “brigando” com o tempo. Só não dá
para correr forte, pegar pesado na musculação e depois correr forte
de novo. Aí é suicídio. Se correr forte a musculação necessariamente
deve ser “leve” e vice-versa. Da mesma forma quem está se
recuperando de lesão deve respeitar a dor que é o melhor sinal de
alerta. O método corrida x musculação x corrida sem intervalo também
é muito eficiente para quem esteja em envolvido com emagrecimento.
Muitas
vezes esse desânimo nos chega por conta de dores ou lesões e basta
um músculo estar mais cansado ou desgastado pelo treinamento para
prejudicar a performance ou deixar de evoluir. Geralmente aquele
músculo ou grupo muscular que já sofreu lesão mais de uma vez é o
que pode ser melhorado ou reforçado e dar aqueles segundos a menos
numa corrida, mas se não tratado adequadamente pode dar uma tremenda
dor de cabeça e um empurrão para a desistência definitiva.
Já dissemos que o
gesto esportivo da corrida envolve três fases distintas: apoio da
perna que está no chão lançando o corpo para cima e para frente, o
vôo propriamente dito e a aterrissagem. Nessas fases, embora todos
os músculos das pernas tenham participação, alguns acabam sendo mais
ou menos solicitados ora fixando, transferindo e/ou estabilizando o
movimento completo da corrida.
Entre os grupos
musculares mais exigidos e consequentemente desenvolvidos, estão o
glúteo, (bum bum) o quadríceps (coxa) o gastrocnêmio (Batata da
perna) e os posteriores de coxa. Entretanto, os flexores de quadril,
os adutores e abdutores de coxa, responsáveis pela elevação e
movimentos laterais da perna, numa corrida muito longa se esgotam
com mais facilidade porque em nenhum momento funcionam como motor
primário do movimento. Não é raro vermos corredores serem dominados
pelo cansaço no último terço da prova dobrando as pernas, inclinando
o corpo para frente tencionando os joelhos e os músculos glúteos.
Diz-se que o corredor “sentou”. Não tenho dúvida nenhuma nem medo de
afirmar que entre dois corredores de igual nível técnico vence uma
corrida de média distância quem tiver se dedicado mais às atividades
complementares entre elas os exercícios de força. O corredor que se
dedica apenas às diversas formas de preparo baseado só em corrida,
tais como fartleck, média distância, intervalado e longão evolui só
até certo ponto. Depois começa a ter desgaste natural da musculatura
porque não somos de ferro. Aí vem uma lesão, depois outra e assim
sucessivamente. Realmente a corrida é uma das atividades mais
prazerosas até pelo nível de endorfinas que libera, mas é a mais
desgastante também. Por isso precisamos dar mais atenção à
preparação muscular e à variação de treinamento. No meu caso, como
citei, optei por nadar até passar a má fase. Depois passei a fazer
musculação junto com a corrida. Até quem está se preparando para uma
corrida de média distância dá para fazer um circuito fraco de
musculação logo após o treinamento normal de corrida mesmo que seja
forte como estou fazendo agora me preparando para as provas de até
10km motivado pela faixa etária nova de 60 anos.
Para Refletir:
Se pregares um prego na parede depois não adianta tirar porque a marca
vai ficar. Se ofenderes uma pessoa depois não adianta pedir
desculpas. (Moraes 2010)
Sobre a Ética:
Alguns profissionais têm sorte na vida, outros nascem em berço de
ouro. Quem não tem nada disso a única opção que resta é trabalhar
direito. (Moraes 2010).
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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