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Outro dia entrei num restaurante no centro da cidade do Rio
de Janeiro e chamou-me a atenção a quantidade de idosos ali
almoçando. Perguntei ao dono do restaurante se ele fazia alguma
promoção para aquelas pessoas e ele me respondeu que não. Aquele
pessoal de cabelos brancos trabalha numa empresa ali perto que dá
preferência a empregados mais velhos e experientes muitos dos quais
já são até aposentados e continuam trabalhando. O motivo é simples.
Esse pessoal dá menos problemas trabalhistas e sociais para a
empresa além de atender melhor o público simplesmente porque querem
e precisam trabalhar. Muitos dos jovens hoje mal entram e já estão
reivindicando salários, faltam por qualquer motivo trazendo atestado
médico e se acham cheios de direitos sem conhecer e cumprir primeiro
com os deveres.
A tão sonhada aposentadoria hoje não representa mais
simplesmente parar de trabalhar, e sim troca por uma ocupação mais
prazerosa. Embora ainda persista em nossa sociedade concursos ou
ofertas de emprego limitando a idade, inclusive desrespeitando a
lei, as pessoas não podem parar em momento nenhum de evoluir em
busca da especialização. Alguns sexagenários são tão importantes em
determinadas empresas que todo o sistema gira em torno de suas
ordens ou conselhos sempre em concordância com o mundo moderno. São
idosos atualizados que não perdem o poder e perfeitamente integrados
à sociedade. É bom lembrar que o poder e respeito são conquistados
ao longo do tempo e não imposto. Algumas pesquisas mostram que quem
trabalha, remunerado ou não, fazendo o que gosta vive mais e melhor.
Infelizmente poucas pessoas têm esse privilégio razão pela qual
temos também uma legião de maus profissionais em todas as áreas.
Não faz tanto tempo assim. Talvez uns 35 anos, uma pessoa de 40 anos
estava em final de carreira. Hoje, estão no ápice de suas vidas
produtivas, muitos cursando mais uma faculdade ou curso de MBA para
se destacar cada vez mais no mercado, pois de acordo com a atual
realidade é possível que ainda tenha mais uns 30 anos de vida
profissional pela frente, desde que se cuide. Não basta só cuidar da
carreira e esquecer do físico, da família e da vida social moderada.
Estar ativo depois dos 60 no tocante a movimento corporal,
também não significa “dar uma de garotão” caindo no ridículo se
arriscando em aventuras perigosas ou radicais. Existem muitas
atividades físicas mais adequadas ao idoso e até os atletas
participam de campeonatos classificados por faixa etária. É
preferível ter 60 anos e se sentir muito bem disposto aos 60 do que
sair por aí dizendo que faz tudo que um jovem de 20 faz. Está
querendo enganar a quem? A diferença de um idoso fisicamente ativo
para um sedentário chega a ser gritante, mas não pode ser comparado
a um rapaz de 20 ou 30 anos. A atividade física para o idoso deve
ser sempre estimulada visando principalmente a Qualidade de Vida
respeitando as suas preferências para que vire um hábito, sem o
apelo estético social distorcido.
Todos nós sabemos que existem pontos fracos e muito falhos em
nosso país. As aposentadorias são ridículas e a assistência médica,
pelo menos digna não existe. Uma parcela dos idosos padece nas filas
dos bancos para receberem suas migalhas e se precisarem de médico
morrem antes de serem atendidos nos hospitais públicos.
Apesar de sabermos que quem depende da saúde pública está em
maus lençóis, os idosos são os que dão menos trabalho para a
segurança pública porque se envolvem muitíssimo menos em acidentes,
brigas e crimes.
Algumas pessoas vêem as preferências de maiores de 65 anos
nas filas dos bancos ou passagem gratuita nos ônibus como uma
regalia. Essas “supostas” regalias fazem muitos idosos viverem mais
e melhor porque podem sair de casa, ver gente, saber o que está
acontecendo na sua cidade e se movimentar. Estariam condenados ao
isolamento, ao desuso do corpo e à morte. Em pouco tempo a fila
preferencial estará maior que a comum e em alguns bancos já
acontece.
Uma população crescendo cada vez mais se constitui no mínimo
uma farta fonte de pesquisa e trabalho para profissionais de saúde e
especialistas. Os terapeutas responsáveis por essa população
precisam ter algo mais do que conhecimento técnico. Precisam de jogo
de cintura, criatividade, bom senso e vontade. Muita boa vontade.
Foi justamente um desses velhinhos ariscos que me disse: O velho é
igual à bicicleta. Se parar cai.
Para Refletir: Em tempos de crise não é preciso economizar
tanto a ponto de se tornar um “pão duro” e nem gastar tanto como se
fosse morrer amanhã. Moraes 2009.
Sobre a Ética: Falar a verdade custa caro em termos de
Marketing porque não se propaga tão rápido como a mentira. O homem
correto pouca gente sabe quem é o mentiroso todo mundo sabe. Moraes
2009.
Cartas para:
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Luiz Carlos de Moraes CREF1 RJ 003529
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