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A gente sabe que o
tempo cobra o seu preço e o envelhecimento é inevitável. Porém, com
os recursos e conhecimentos de hoje e o acesso à informação sabemos
como o corpo reage em cada faixa etária e o que podemos fazer para
que essa desaceleração da capacidade funcional do idoso seja mais
lenta e saudável. As principais doenças tais como as
cardiovasculares, o diabetes, as articulares entre outras não
invalidam mais o idoso como no passado. A capacidade funcional é
definida como habilidade de um indivíduo realizar tarefas diárias ou
mesmo inesperadas de forma segura, eficiente e sem cansaço
excessivo. Isso depende da flexibilidade, da coordenação motora,
agilidade, da força e resistência aeróbia geral que naturalmente vão
se perdendo ao longo do tempo se nada for feito para evitar.
Lá no segundo grau,
quando estudamos as células, aprendemos que as mitocôndrias são
verdadeiras usinas geradoras de energia aeróbia responsável pelas
atividades contínuas e prolongadas. A energia anaeróbia, responsável
pela atividade curta e rápida, fica no sarcoplasma. Lembram disso?
Pois bem, a energia anaeróbia é a primeira a se perder com o avanço
da idade. A mielina, camada gelatinosa que recobre certos tipos de
nervos sofre um desgaste natural interferindo diretamente nas fibras
musculares brancas, as de contração rápida (tipo II). Como os nervos
são formados por células que não se recompõem e sensíveis à falta de
oxigênio os ramos nervosos menores são os primeiros a morrerem
desativando os pequenos músculos encurtando os movimentos mais
simples.
A capacidade de o
corpo captar e distribuir oxigênio, chamada de VO² Máximo, pode
diminuir em torno de 8 a 10% por década levando, se nada for feito,
à incapacidade de realizar até atividades laborais simples.
Outra medida
conhecida mede o custo energético ou equivalente metabólico descrito
em MET, onde 1MET corresponde à quantidade de oxigênio necessária
por minuto em condições de repouso normal, que é igual a 3,5ml de
oxigênio consumido por quilograma de peso corporal por minuto (ml/kg-min).
Sendo assim, já é bem estabelecida na literatura uma classificação
de medida em MET para as diversas atividades, a saber: trabalho
sedentário ou muito leve 1 a 3 MET; Moderado 3 a 5 MET; pesado 5 a 8
MET e muito pesado mais de 8 MET por minuto. Conclui-se então que um
idoso ou qualquer pessoa com valores de VO² Máximo muito baixo não
possa nem trabalhar direito porque essa capacidade vai diminuindo ao
longo dos anos.
A massa muscular,
em bom português, de uma forma geral vai "secando". Ou seja,
perde-se a cada década massa muscular, processo conhecido como
sarcopenia, sendo acelerado com o sedentarismo, vida irregular,
estresse e etc. De origem grega, sarcopenia significa “perda de
carne” (sarx = carne, penia = perda) e pode ser multifatorial.
A
massa óssea é outra estrutura também bastante prejudicada perdendo
paulatinamente mais cálcio e a sua rigidez. A conseqüência mais
grave e mais conhecida é a osteoporose, primária causada pelo
desgaste natural e deficiência hormonal, geralmente na terceira
idade, e a secundária ligada à ingestão de certos medicamentos.
Outros fatores estão relacionados ao sexo (feminino), a
hereditariedade e à raça branca. A lei do uso e desuso pode levar
além da osteoporose às artroses. Se não usa, atrofia.
O corpo perde água
também e uma das conseqüências é a diminuição da espessura dos
discos intervertebrais que são formados por uma camada fibrosa e
cheios d'água. Discos mais finos, menos mobilidade na coluna
vertebral. Além do mais, a própria ação da gravidade já contribui
para isso. É sabido que o idoso fica mais baixo com o passar dos
anos podendo chegar a 3% se comparado com o jovem.
Como a capacidade
de absorver e distribuir oxigênio pelo corpo vai diminuindo o
coração precisa trabalhar mais para enviar o mínimo de oxigênio para
viver. Com isso a freqüência respiratória, a freqüência cardíaca e a
pressão arterial aumentam também. Os ombros vão se projetando para
frente e as costas ficando arcadas dificultando os movimentos do
músculo diafragma. A amplitude das passadas vai diminuindo por conta
do encurtamento dos músculos posteriores das pernas e quando começa
arrastar o chinelo, é o fim. Tudo isso pode ser evitado com
atividade física adequada que veremos na próxima edição.
Para Refletir:
Quem não tem o que fazer, com que se preocupar e a quem cuidar não
tem nada, muito menos felicidade porque também não merece . Moraes
2009.
Sobre a Ética:
Se existe vida após a morte cada um tem a sua crença. O homem sério
e que faz o bem para a sociedade fica vivo por muito tempo. Pelo
menos enquanto as pessoas continuarem a falar dele mesmo depois da
sua morte. Moraes 2009.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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