|
Vimos nas edições
passadas que a capacidade aeróbia de uma pessoa sadia que não faz
atividade física regular começa a declinar a partir da segunda
década de vida podendo cair 1% ao ano depois dos 30 anos. A gente
sabe que níveis baixos dessa valência física expõem especialmente os
idosos às doenças respiratórias e/ou pulmonares e por tabela as
cardiovasculares.
Cheguei a comentar
que existe uma tendência de se prescrever atividade física ao idoso
aquém da sua real capacidade como se todos fossem inválidos. Não é
incomum a recomendação de uma simples caminhada de 30 minutos três
vezes por semana em ritmo bem confortável. O resultado é que
frequentemente vemos pessoas nas ruas passeando sob alegação de que
estão caminhando, mas não estão fazendo exercício. Para que o
sistema cardiovascular tenha uma resposta positiva é preciso que
essa caminhada seja de vigorosa a muito vigorosa mais ou menos como
uma pessoa se deslocando rapidamente por estar atrasada para chegar
ao trabalho. Essa intensidade deve ser suficiente a não permitir
conversa com frases prolongadas e tranqüilas. Se está conversando
normalmente não está fazendo nada. Não é difícil depararmos com a
situação de vermos uma pessoa com pressa “passar de passagem” por
outra que supostamente esteja fazendo exercício. É preciso estar
sempre revendo as metas porque o corpo se adapta rapidamente e
aquela caminhada que antes era vigorosa passa a ser muito tranqüila
e o ganho aeróbio pode ainda não ter chegado ao limite. Sendo assim
existem outras formas de aumentar gradativamente a dificuldade com
segurança. Basta escolher novos percursos com ladeiras e subi-las
com vontade. Como fatalmente terá descidas também poupe as pernas
porque na descida não se ganha quase nada e o risco de lesões são
maiores. Por isso, suba forte e desça devagar. Se ainda assim for
pouco escolha escadaria que também é um santo remédio para o
coração.
Essa atividade
aeróbia não é mais necessária ser de longa duração como se divulgava
anteriormente quando o objetivo for emagrecimento e/ou aumento da
capacidade aeróbia. Duas vezes 30 minutos no mesmo dia dá o mesmo
resultado que uma hora contínua.

A Flexibilidade é também uma valência física importante. Não adianta
muito ter pulmão, força física e ter que vestir as calças de manhã
sentado na cama ou ter a maior dificuldade de amarrar os sapatos por
falta de flexibilidade. Por isso, alguns exercícios básicos de
alongamento devem encerrar a seção de treinamento seguindo alguns
princípios:
1.
Cada
um tem o seu limite e não é preciso "forçar a barra". A amplitude
deve ir até onde for suportável;
2.
Dê
preferência para alongar os grupos musculares e regiões do corpo
mais sujeitas ao encurtamento que são o peitoral, a lombar e
posteriores de coxa; Os alongamentos devem incluir os grupos
musculares trabalhados na atividade diária principal;
3.
Se
tiver alguém que ajude a alongar que essa pessoa tenha bom senso.
Dor é sinal de alarme. Melhor se for um profissional de Educação
Física;
4.
A
musculatura agônica e antagônica deve ser trabalhada a fim
proporcionar um desenvolvimento harmônico da amplitude do movimento;
5.
Alguns autores advogam que entre optar em alongar antes ou depois da
atividade, o melhor é a segunda opção, porque estando a musculatura
aquecida, o treinamento é facilitado. Gastar muito tempo alongando
antes pode não trazer resultados tão significativos para a maioria
das atividades, bastando o aquecimento simples. Claro, não é uma
regra e uma atividade esportiva como, por exemplo, os saltos, o
aquecimento seguido de alongamento justifica e muito, pois nesse
caso o atleta vai precisar da máxima amplitude. Não é o nosso caso;
6.
Essa
atividade também não vai se transformar numa aula de alongamento
bastando 10 a 15 minutos, tempo suficiente para volta à calma
atendendo os objetivos;
7.
Os
exercícios de flexibilidade devem respeitar as limitações do idoso
valendo muito o bom senso. Repito. Dor é um sinal de alarme.
Por fim, a
atividade física para o idoso deve respeitar os limites de cada um,
ser a mais prazerosa, conter uma variedade significativa de
movimentos básicos mais parecidos com a atividade funcional, mas sem
ficar aquém da real possibilidade de ganho de performance.
Para Refletir:
A pressa, a ocupação e o trabalho excessivo estão sempre na
contramão da saúde. Moraes 2009.
Sobre a Ética:
Ninguém derruba e nem “tira o tapete” de ninguém. O comportamento
duvidoso de cada um é que permite isso. Moraes 2009.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
www.noticiasdocorpo.com.br
|