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As pessoas que mais
facilmente podem ser passadas para trás sem dúvida são as que estão
sempre querendo levar algum tipo de vantagem. Um bom exemplo disso
são as que ainda caem no golpe do bilhete premiado. Ora! Isso só
acontece no encontro de dois espertos, um querendo enganar o outro.
O golpista com boa lábia e a vítima cai, não por ser boba, e sim por
achar que vai se dar bem.
Na área de saúde e
Educação Física também são os “espertos” que sempre se dão bem em
cima das pessoas querendo ser enganadas com receitas mágicas para
emagrecer sem fazer força, alimentos para ficar forte rápido e tudo
o mais. Volta e meia aparece alguma coisa alardeando uma novidade
quando na verdade não passa de uma reedição de tentativas frustradas
anteriores.
Depois do
“choquinho”, agora parece ser a vez da tal plataforma vibratória que
também não é nenhuma novidade. Um aparelho que produz uma vibração
constante que visam estimular todo o aparelho locomotor do corpo.
Ele foi criado para treinar os astronautas em situações de gravidade
zero e para esse fim o aparelho realmente funciona. É também muito
usado em clínicas de fisioterapia com fins de reabilitação física de
membros paralisados por acidentes ou doenças degenerativas onde se
concentra a principal indicação. Nos casos de necessidade de
exercícios cinesioterápicos e/ou desenvolvimento proprioceptivo o
aparelho pode ser um bom aplicativo nas seções de fisioterapia.
Outra aplicação com
razoável sucesso em mulheres idosas sedentárias é no tratamento da
osteoporose. A vibração pode melhorar a concentração de cálcio nos
ossos, o equilíbrio, a agilidade e a marcha. Entretanto, essas
conclusões são citadas em apenas dois estudos além de ser óbvio que
qualquer atividade por mais simples que seja em idosos sedentários
dá algum resultado. Portanto, não é sétima maravilha do mundo como
costumam alardear por aí.
Conclusões
similares foram encontradas em estudos comparando treinamento de
força tradicional com treinamento de força feito em cima de
plataforma vibratória. O segundo promove aumento de força
significativo. Também não fugiu do óbvio. Se o exercício de força é
feito em cima de uma máquina vibratória o recrutamento de unidades
motoras só pode ser maior. O estudo também concluiu que quanto menor
o nível de força, maior é o ganho. Claro, e precisa dizer isso?

Ora! O estudo
comparou o mesmo exercício com a mesma carga na plataforma e fora
dela. É evidente que se o exercício for comparado com carga maior
fora dela o resultado será o mesmo ou insignificante.
Já se sabe que a
plataforma vibratória tem as suas limitações. Em primeiro lugar,
apesar de todo exercício ser feito em cadeia cinética fechada que
teoricamente recruta mais unidades motoras além de envolver músculos
agonistas e antagonistas, a vibração é proporcionalmente menor à
medida que se afasta do ponto inicial de contato. Além disso a
vibração tem uma freqüência limite e não é recomendável nem fazer
muitas seções e nem ser a única forma de treinamento. Ou seja, pode
ser um treinamento complementar, seja aeróbio, anaeróbio, de força
ou mesmo alternativo nas terapias e principalmente na recuperação
física.
Como sempre, uma
boa parcela da população sonha com um corpinho perfeito sem fazer
força, um prato cheio para os fabricantes tentarem vender esses
aparelhos, que não são baratos, justamente para essas pessoas. De um
lado um esperto tentando vender, do outro um esperto achando que vai
se dar bem. Interessante que a própria propaganda da maioria desses
aparelhos vem escrito: “É uma ótima opção junto com uma dieta
saudável, de perder peso e manter a forma de maneira prática e
segura”. Alguns ainda completam: “Faça exercícios regularmente!” A
propaganda é audaciosa. “Com alguns minutos por dia, em alguns
meses, você consegue diminuir varizes, celulite, reduzir colesterol,
entre outros benefícios”. Fala sério! Algum de vocês queridos
leitores inteligentes que são acredita nisso? Quem compra um
aparelho desses e não obtiver o resultado esperado não pode
judicialmente acionar o fabricante porque a propaganda recomenda
fazer dieta e exercício. Os milhares de artigos na Internet
relativos à plataforma vibratória são propagandas de clínicas,
estúdios e academias sem nenhum critério científico.
Concluindo, o
treinamento em plataforma vibratória produz algum resultado no
sistema neuromuscular, mas não é superior a nenhum treinamento
tradicional sendo indicado ao complemento de outras atividades
físicas e principalmente recuperação de lesões. Mesmo assim deve ser
visto com reservas pois a aceleração pode não ser adequada às
estruturas lesionadas, daí a necessidade de orientação médica,
porque o uso tem contra-indicações nos casos de inflamações,
artropatia, artroses, infecções, febre, artrite, enxaqueca, agudas,
feridas pós-operatórias, implantes metálicos ou sintéticos como
marca-passos, válvulas cardíacas artificiais, endopróteses
vasculares recentes e outras a critério médico.
Outro ponto sério
de grande preocupação é que não existe norma de fabricação que
garanta a qualidade do produto o que deixa o cliente judicialmente
totalmente descoberto em caso de problema.
Para Refletir:
O sujeito que nunca recebeu elogios e não consegue fazer ninguém feliz
tem a sua chance quando morrer. No velório todo mundo diz que o
morto era bonzinho. (Moraes 2010)
Sobre a Ética:
O profissional íntegro não precisa jurar que é verdade o que diz.
(Moraes 2010).
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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