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Um dia desses
lendo uma coluna de sexologia, uma mulher reclamava do marido
acomodado que passava horas assistindo futebol na telinha da TV.
Entretanto, no início do casamento o tal marido era o que muitas
mulheres sonham. Trabalhador, caseiro e sem vícios. Trabalho casa,
casa trabalho, brincava com as crianças e ajudava na cozinha.
A tal mulher não
sabia o que tinha acontecido com a sua libido. Se tinha mesmo
desaparecido ou se ela tinha se acostumado com aquela “mesmice”.
Segundo ela, a chama ficou acesa por um bom tempo. Depois, apagou.
Pois bem. Você
leitor deve estar se perguntando: E o que isso tem a ver com a
Educação Física? Algo parecido. A vida é uma constante transformação
e a necessidade de mudança é inerente ao ser humano. Para a tal
mulher, aquele homem trabalhador, caseiro, e que brincava com os
filhos era o sonho dourado. Mas ficou só nisso anos a fio a tal
ponto que nos fins de semana era só futebol na telinha.
A Educação
Física também sente a necessidade constante de mudança porque o
cliente pede e a ciência evolui.
A força física
foi, por assim dizer, a primeira valência física que os povos da
Antigüidade sentiram necessidade de desenvolver por causa das
guerras. Depois os próprios gregos defendiam um conjunto harmonioso
de qualidades do corpo e da mente numa constante renovação.
Como a vaidade é
também coisa de gente, muitos acabam “malhando” para se enquadrar no
padrão de beleza física de cada época. Para os homens houve uma
variação desde os “fortões” com braços, peitoral e pernas
avantajados até os dias de hoje do magro modelado com os músculos
definidos, mas sem exageros.
Por outro lado,
a moda corporal feminina acompanha os instintos sexuais do macho.
Assim, houve a época das gordinhas de quadris largos e hoje parece
ser a vez das magras de bum bum redondinho.
Para atender as
exigências de época a Educação Física evolui e quem não acompanha
fica para trás. Nos anos 70 a ginástica aeróbica de alto impacto e a
corrida cuidavam da magreza padrão. Aí vieram as contusões. O
cliente de academia passou a exigir uma ginástica que modelasse o
corpo, queimasse as gordurinhas, fosse alegre, gostosa e promovesse
a saúde sem machucar. A ginástica localizada “pintou” na área
lotando as salas de aula e continua até hoje e tudo que se inventa é
a partir dela.
Vai indo, por
melhor que seja a aula e os professores, como o tal maridão, acaba
virando “mesmice”.
Sem fugir dos
objetivos propostos a cada simpósio de Educação Física aparece uma
novidade, muitas até fruto de pesquisas e criatividade de
professores. Vale até dar umas pancadas no saco imitando o boxe.
Ótimo para quem teve um dia chato com o patrão, o marido, a mulher,
ou a sogra “pegando no pé”.
Além de melhorar
a resistência cardiovascular, trabalha-se a força física nos braços,
desenvolve a coordenação motora e a gente descarrega a raiva dando
socos. Ativa também a imaginação porque pode-se pensar estar dando
um “monte” de sopapos no chato que você conhece.
Só precisamos
estar atentos aos programas prontos patenteado por empresa qualquer
misturando métodos de ginástica, dança e musculação, cuja essência
se baseia nos conhecimentos que todo profissional de Educação Física
tem obrigação de dominar. Em minha opinião é nada mais que uma
tentativa de monopolizar a Educação Física. Geralmente esses
programas vêm acompanhados de um Marketing pesado típico americano
que ilude o consumidor. Todos devem estar atentos a isso. O cliente
e o professor. O primeiro por ser quem vai usar o programa e não
sendo adequado ao seu perfil será mais um desistente em pouco tempo.
O professor porque é quem tira o seu sustento justamente das
academias, hoje a maior fonte de emprego, pois a cada dia é aberta
mais uma em todas as cidades. Como em todas as profissões, existe
uma reclamação de baixos salários, mas o que diferencia o bom
profissional é atualização, especialização e constante busca pela
informação. Sem isso, o professor torna-se presa fácil dos
exploradores de mão de obra barata sendo periodicamente substituído
por outro sem especialização que aceite ministrar qualquer tipo de
aula e o que “pintar” pela frente ganhando menos. Ou seja, conhece
de tudo um pouco, e não é especialista nem experiente em nada. O tal
maridão era o melhor e agora pode ser substituído. Pense nisso!
Para
Refletir:
"A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade."
Aristóteles.
Sobre a
Ética:
A coragem e
ousadia são as primeiras das qualidades humanas porque despertam
todas as outras. A mentira é o primeiro defeito a desencadear todos
os outros. Moraes 2008.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos de
Moraes CREF1 RJ 003529
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