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Tal como a esteira simula a corrida de rua, o spinning simula uma
situação real de ciclismo de estrada onde deparamos com subidas,
descidas estradas planas entre outras surpresas. Por isso, o
protocolo criado por Johnny G. se baseia na variação de manobras e
essas exigências motoras a cada momento. As bicicletas seguem um
modelo robusto e engrenagem que permite pedalarmos ora em pé, ora
sentado como fazem os ciclistas na estrada variando também as
velocidades com e sem carga.
Infelizmente alguns profissionais, se é que pode ser chamado assim,
em nome de uma suposta criatividade tentam inventar exercícios sem
fundamento técnico. Baseado nas perguntas que frequentemente recebo
do Brasil inteiro aí vão alguns desses absurdos selecionados ao
longo dos últimos anos e espero que quando algum dos leitores na
situação de alunos se depararem com uma dessas situações questionem
com o professor.
Caneleira – Usar caneleiras no
tornozelo não aumenta a intensidade nem o esforço e biomecanicamente
é antinatural. Alguém já viu ciclista pedalar na rua usando
caneleira? Claro que não! Se a atividade simula o ciclismo de rua já
seria “de cara” a primeira razão para não usar. Se a intenção é
aumentar o esforço basta usar o dispositivo próprio das bicicletas
de spinning.
Abdominal na bike - Uma leitora me
perguntou se é correto numa aula de Bike Indoor fazer abdominais
entre o intervalo das músicas. O abdominal é feito sentado no selim
da bike apoiando os pés nos pedais, mãos atrás da nuca, fazendo a
flexão de quadril como se estivesse no chão.
Ora! Além de ser um absurdo fazer abdominal da bicicleta esse tipo
de abdominal, tal como descrito, claramente sacrifica a coluna
lombar porque fica sem apoio. É até admissível descer da bicicleta e
fazer alguns exercícios compondo um circuito e depois pedalar
novamente, mas fazer abdominal ou qualquer outro exercício em cima
da bicicleta, decididamente não dá para engolir.
A diferença do spinning para o ciclismo indoor é que o primeiro é a
versão original com a filosofia de simulação e visualização de um
percurso de rua e/ou estrada. A versão indoor, foi criada com
objetivo de desenvolvimento cardiovascular com freqüência cardíaca
adequada às manobras específicas. Sendo assim, nessa aula, e não no
spinning, é válida a composição de um circuito. É só uma questão de
filosofia.
Sem Selim – Parece mentira, mas
essa há alguns anos, ninguém me contou e eu presenciei numa academia
no Rio de Janeiro. Um professor no meio da aula resolveu pedir a
todos os alunos para tirar o selim sob pretexto de simular um grande
desafio de montanha obrigando a manobra de pedalar em pé. Claro,
mais um absurdo sem precedente. Numa situação real quem não agüenta
subir uma ladeira desce da bicicleta para descansar. Aula de
spinning não é castigo e quando o sujeito cansa pedala sentado em
roda livre para se recuperar.
As
aulas de spinning, Ciclismo Indoor e RPM no final das contas acabam
estimulando e preparando as pessoas a pedalar nas ruas e estradas.
Estando fisicamente preparados o conforto e o prazer de pedalar na
rua aumentam na proporção que o ciclista passa a ter intimidade com
a bicicleta e a dominar as resistências naturais: a de rolamento
(atrito da roda no solo), a mecânica (proveniente das engrenagens da
bicicleta), a do ar e a da gravidade. Essas resistências naturais
são as principais diferenças entre pedalar nas ruas, estradas e
campo e o spinning. Por conta disso, na rua se gasta mais energia
simplesmente porque o esforço é maior e, a freqüência cardíaca
também pode ser.
Só não dá para estabelecer uma equivalência entre um e outro porque
as variáveis são muitas. Atrevo-me a dizer que qualquer comparativo
tais como supor que uma hora no spinning equivalha à uma hora e meia
na bike, ou qualquer outra comparação, não passa de especulações
porque não existem trabalhos científicos fidedignos endossando isso.
O mesmo vale para a freqüência cardíaca que pode ser ou não maior na
rua, mas quanto? É difícil afirmar.
O spinning, assim como a corrida na esteira, é uma das atividades
campeãs em gasto calórico, mas o excesso ou descuido nas regulagens
dos equipamentos podem trazer conseqüências desagradáveis tais como
dores lombares e problemas de joelho. Esses problemas acontecem
quando o aluno despreza as orientações profissionais fazendo aula
todo dia. É válido variar as atividades porque nenhuma delas é
completa por si só. Não inventar por inventar.
Para Refletir: Se arriscar em ser
criativo sem o mínimo de bom senso é melhor fazer apenas o certo
porque não é preciso pensar muito e não faz feio. (Moraes 2010)
Sobre a Ética: Cada profissional vale o
quanto investe em conhecimento e o quanto transfere à sociedade. Tem
os que valem uma moeda de ouro outros de lata. (Moraes 2010).
Cartas para:
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Luiz Carlos de Moraes CREF1 RJ 003529
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