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Todos nós corredores por mais equilibrados, fiéis
e conscientes do que devemos ou não fazer nos treinamentos em muitos
momentos não conseguimos frear nossos impulsos e passamos dos
limites em determinados treinos ou competição. O resultado a gente
já sabe. São desde dores musculares até lesões esportivas. Não vejo
isso exatamente como um erro porque também se não testarmos os
nossos limites nunca saberemos onde realmente podemos chegar ou qual
é a nossa velocidade limite para cada tipo de prova. Sendo assim, o
importante é sabermos dosar na justa medida intensidade, duração e
descanso procurando um estado de equilíbrio porque também não se
pode negar que a corrida por mais prazerosa que seja também é uma
fonte significativa de estresse principalmente para quem apenas
corre. Por conta disso costuma-se dizer que descanso também é treino
e durante esse descanso podemos ainda recorrer aos recursos de
relaxamento que são as atividades holísticas. Assim como a atividade
física são muitas modalidades sendo impossível que alguém não goste
de nada a forma de relaxar também são muitas e cada um acaba achando
a mais adequada ao seu perfil e até mesmo credo. Podemos relaxar com
massagem, shiatsu, reflexologia,
tai-chi-chuan,
ginástica Lian Gong, meditação e até mesmo a oração. Para alguns
corredores, principalmente os que não suportam a idéia de não fazer
nada no dia de descanso, as terapias alternativas são mais
importantes ainda.
O
Shiatsu
Nascida
no Japão teve sua origem em outra massagem chamada Amna que utiliza
técnica como esfregar, apalpar, apertar com dedos e etc.
Embora cada shiatsoterapeuta use uma variedade de
técnicas associadas, todas partem de um princípio comum fundamentado
na força vital conhecida como “Ki” ou “Chi”, para nós ocidentais,
traduzida como energia, fato inegável em qualquer crença. Se nosso
corpo tem energia ela corre por algum lugar e deve ter um caminho
chamado de meridianos assim como o sangue corre pelas artérias e
veias. Segundo a teoria japonesa, cada meridiano está ligado a um
órgão ou função psicofísica e seu respectivo “Ki” podendo ser tocado
em certos pontos ao longo de seu trajeto representado por um
verdadeiro mapa que são os mesmos da acupuntura, uma especialidade
reconhecida pela Medicina. Em japonês esses pontos são os “Tsubôs”.
Quando estamos com nossas energias em equilíbrio,
tudo vai bem. Entretanto, qual de nós seres mortais, consegue isso?
O Shiatsu consiste em tocar nesses pontos de fluxo interrompido de
energia e liberá-los. Como os rios de uma cidade, o lixo acumulado
em determinado ponto impede as águas de circularem livremente
ficando antes da obstrução um excesso de água e depois, pouca água
corre no leito. Com os meridianos pode ocorrer algo similar. O ponto
de acupuntura chamado de “Tsubôs” é onde a energia “Ki” pode ser
interrompida gerando um excesso antes e falta depois. Os japoneses
nomearam esse excesso de “Ki” de “Jitsu” e a deficiência de “Kyo”.
Esse ponto de transferência de energia é aceito também por nós
ocidentais e chamados de “gatilho” ou “desencadeador” onde o músculo
é estimulado a contrair e relaxar. No tato, o terapeuta experiente
consegue identificar “Jitsu” de “Kyo” porque o primeiro pode doer
quando tocado e geralmente se apresenta tenso. O segundo, ao
contrário, não dói e quando tocado reflete uma espécie de “dor
gostosa” ou sensação agradável de alívio, pois o terapeuta está
fornecendo energia naquela região. A arte de tocar no Shiatsu
consiste em equilibrar os meridianos Kyo e Jitsu.
Outra sabedoria oriental e que não podemos negar,
é a existência de forças de energia positiva e negativa em todas as
coisas e seres vivos a qual denominam Yin e Yang, forças opostas e
complementares. O Yin corresponde à escuridão, ao frio, úmido,
receptivo, acuado e etc. O Yang, ao claro, quente, seco, ativo e
etc. Sendo assim, nada é totalmente Yin e nada totalmente Yang.
Quando estamos, digamos... “pra baixo”, deprimido e triste, sempre
haverá “uma luz no final do túnel” da mesma forma quando estamos
alegres, bem disposto e sem dor, sempre haverá alguma coisa
incomodando. Daí o tradicional símbolo redondo japonês metade claro,
metade escuro com um ponto escuro no claro e um ponto claro no
escuro. A completa felicidade não existe assim como a profunda
tristeza também não. Quando nossas energias começam a ficar Yang,
com tudo se encaixando, alguma coisa, do nada, dá errado. Pessoas
que sofrem de depressão, em algum momento de suas vidas têm
alegrias, mesmo que em curto espaço de tempo. Mesmo sendo uma
terapia alternativa é preciso ter habilitação além da empatia
própria de quem gosta de cuidar de gente. Escolha bem o seu
terapeuta.
O
Shiatsu Expresso
O
Shiatsu tradicional de corpo inteiro, para os dias de hoje demanda
um tempo inviável para certas pessoas envolvidas com reuniões e
compromissos diários e mais o tempo para dar aquela corridinha.
Entre deslocamento, preparo para a massagem, roupa adequada e a
atividade em si, gasta-se mais de uma hora. Pensando nisso, surgiu
no início dos anos 80 o Shiatsu Expresso ou “Quick Massage”.
Trata-se de uma versão do Shiatsu feito numa cadeira especial de
fácil locomoção que deixa o cliente confortavelmente instalado numa
posição próxima da fetal. Não é preciso roupa especial, pode ser
aplicado em qualquer lugar do jeito que estiver, seja no escritório,
praça pública, shopping center e etc. O cliente pode estar com um
“disk ou walk-man” ouvindo música tranqüila para se desligar do
ambiente. Quanto ao terapeuta, nessa situação de agito à sua volta,
entende-se ser uma pessoa emocionalmente preparada a não perder a
atenção ficando focado sempre no cliente. Até porque, existe uma
seqüência básica no sentido de canalizar as energias através das
mãos.
No Shiatsu Expresso, a posição em que o cliente
fica facilita o terapeuta trabalhar os principais meridianos que
passam pelas costas, região cervical, lombar, braços e a cabeça
envolvendo assim a maior parte do corpo. Nada impede de se mesclar
técnicas de alongamentos e massagem tradicional, para determinadas
partes do corpo onde se concentram tensões como, por exemplo, as
escápulas e o pescoço de certa forma comum entre nós corredores
principalmente depois de treinos longos. Os pontos de encontro ou
passagem de energia, os “Tsubôs”, podem estar bloqueados pelos
músculos excessivamente tensos, seja pelo trabalho ou da própria
prática esportiva.
O principal fator para, em 15 minutos o cliente
ficar relaxado, esteja onde estiver, é a empatia do terapeuta. O
toque, a pressão e a conduta, principalmente logo no início da
sessão, são fundamentais para o sucesso. Não são raros os casos de
pessoas em apenas 15 ou 20 minutos literalmente dormir na cadeira.
Justamente por estarem expostas as pessoas se sentem protegidas
facilitando o relaxamento total. Claro, quanto mais hábitos de vida
saudável as pessoas tiverem, melhores serão os resultados.
Ninguém precisa, por exemplo, ser absolutamente
fanático por um tipo de alimentação. Comer pouco várias vezes por
dia e bem variado ajuda a manter o organismo em equilíbrio. Alguns
alimentos na teoria oriental são mais “Yin” e outros mais “Yang”.
Comer carne não é proibido, muita pode fazer mal, nenhuma pode-se
não estar ingerindo nutrientes básicos. Equilibrar os sabores é mais
sensato. Nem tão doce, nem salgado, nem azedo, nem amargo. De vez em
quando mais picante. Os alimentos têm energia que vem do fogo, da
terra, do metal, da água e da madeira. Os cinco elementos da energia
oriental “ki”. Os estimulantes tais como os chás e o café cobram o
seu preço no organismo e a moderação é a palavra mágica para tudo na
vida, inclusive na corrida. Não podemos viver sem o estresse, mas
cada situação pode ser melhor planejada.
Bom, são muitas opções e na próxima semana a
gente continua. Combinado?
Para Refletir:
O otimista acende uma vela ou até um fósforo. O pessimista reclama da
escuridão e bota a culpa em alguém. (Moraes 2010)
Sobre a Ética:
Qualquer um pode ser útil à sociedade ou não servir para nada. Numa
caixa de costura o alfinete pode servir para unir panos ou dar
alfinetadas nos outros. (Moraes 2010).
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Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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