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Dinheiro,
sucesso, carrões, mulheres bonitas... Tudo isso lembra bem as belas
imagens que vemos na televisão associadas às propagandas de cigarro.
Com os esteróides anabolizantes está acontecendo o mesmo. Para
iludir, principalmente os jovens ansiosos em adquirir os músculos
poderosos, as propagandas vêm embutidas no rótulo da saúde, muitas
vezes vinculados à imagem de artistas "fortões" e famosos. O alvo,
são as academias de musculação onde estão, pela lógica, os adeptos à
hipertrofia muscular.
Os anabolizantes são medicamentos à base de hormônio masculino
testosterona com as características anabólicas (crescimento) e
adrogênicas (caracteres sexuais masculino). Segundo a literatura
científica, as finalidades são terapêuticas nos casos de tratamento
de doenças como as anemias, alguns tipos de câncer, casos de
reposição hormonal, atrofias musculares causadas por certos tipos de
doenças ou acidentes traumáticos.
Sem dúvida nenhuma os anabolizantes produzem o efeito desejado aos
simpatizantes da hipertrofia muscular e força física. O esporte está
cheio de casos de vitórias ilícitas ligadas a esses medicamentos.
Infelizmente a gente só acaba sabendo dos males quando alguém muito
famoso morre como foi o caso da velocista americana Florence Grift
Joyner que, embora oficialmente nada tenha sido provado, a suspeita
ficou.
Esse outro lado negro da moeda ainda é muito pouco estudado pela
ciência, por razões éticas. Não dá para fazer experiência dessa
ordem com pessoas. O que existe de concreto são pesquisas feitas
através de questionários respondidos por voluntários como o
publicado no Internacional Journal of Sports Medicine, 18:557-62,
1992. citado na internet pelo Dr. José Maria Santarém (Médico
Pesquisador Doutor da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo). Nas academias do Reino Unido 1667 pessoas responderam ao
questionário. Entre os homens interrogados 9,1% usavam drogas
anabolizantes contra 2,3% entre as mulheres. As doses chegaram a 34
vezes mais que as terapêuticas e apenas 28% eram atletas de
competição. Há quem justifique que paradas temporárias não faz mal.
Pois bem. O sistema de ciclos interrompidos foi utilizado por 88%
dos usuários e mesmo assim 77% relataram efeitos colaterais do tipo
atrofia dos testículos em 56% dos casos, ginecomastia (crescimento
das mamas no homem) em 52%, dificulda de para dormir em 37%,
hipertensão arterial em 36%, lesões tendinosas em 26%, sangramento
nasal em 22% e resfriados freqüentes em 16%... É pouco?
Nas mulheres os relatos foram irregularidades menstruais,
hipertrofia do crítoris, diminuição das mamas, engrossamento da voz,
acne, queda de cabelos no couro cabeludo e crescimento de pelos
masculinos no corpo... É pouco?
Quando as pessoas resolveram parar, relataram tonturas, fraqueza,
perda da libido e dores articulares. Reações que acabam levando a
reincidência dependente. É pouco? Tem mais... Mesmo os que usaram
apenas oito semanas os efeitos foram os mesmos. Cá entre nós. Se o
homem faz musculação visando mais saúde e uma aparência mais bonita
para também, entre outros objetivos, atrair o sexo oposto, pra que
usar anabolizante sabendo que na hora "agá" pode falhar por causa
justamente desse remedinho? No mínimo me parece uma grande burrice,
não acham?
A musculação bem orientada por profissionais sérios, que usam os
métodos e ciclos de treinamentos inteligentes fundamentados na
ciência, produz resultados impressionantes... e sem as malditas
drogas. De qualquer forma cabe aos profissionais informar os
"supostos" benefícios e principalmente os riscos. Influenciar ao uso
dos anabolizantes é brincar com a vida das pessoas e por tabela
destruir toda uma classe e estabelecimentos cuja função social é
zelar pelo estilo de vida saudável. Portanto, a você aluno
interessado em obter um corpo bonito e saúde de verdade, procure uma
academia com propostas sérias a longo prazo e fuja das pessoas que
ofereçam anabolizantes. Normalmente elas se apresentam bem maquiadas
parecendo gente de bem. Diga não às drogas... também nas
academias!!!
PARA REFLETIR: A qualidade nunca é acidental... É resultado
do esforço inteligente em busca da perfeição.
LITERATURA CONSULTADA: 1) Fleck Steven J. Fundamentos do
Treinamento de Força Muscular - 2ª edição - Porto Alegre - R.S. -
Editora Artes Médicas Sul Ltda - 1999. 2) Zatsiorsky, Vladimir M. -
Ciência e Prática do Treinamento de Força - São Paulo - S.P. -
Phorte Editora Ltda, 1999.
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