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E agora Jose? O Rio
de janeiro vai sediar os jogos Olímpicos de 2016. A contagem
regressiva para as medalhas já começou. Mas quem são esses
medalhistas? Teoricamente os adolescentes hoje com idades entre 12 e
14 anos que já deveriam estar selecionados num programa de
treinamento de médio e longo prazo garimpado principalmente nas
escolas de ensino básico e fundamental. E agora José? Mais da metade
das escolas públicas no estado nem quadra de esportes tem e são
dados oficiais do Censo Escolar 2008 do Ministério da Educação. As
que têm são precárias e falta material esportivo. Fico imaginando o
que fazem os professores de Educação dessas escolas. Talvez se as
Olimpíadas tivesse uma categoria do improviso certamente esses
professores seriam endeusados. Isso mesmo! Só com uma dose muito
alta de boa vontade dá pra trabalhar em Educação Física na escola
pública.
Embora não seja
esse o objetivo da Educação Física escolar, é a oportunidade da
criança ter contato com os esportes e se descobrir talentos
esportivos. Na situação atual milhares de crianças nunca saberão dos
seus valores. Muitas delas até esboçam a prática de algum esporte,
mas acabam desistindo por diversas razões tais como mudança de
interesse associado à falta de condições financeiras porque precisam
trabalhar seguindo outro caminho, pouco incentivo dos pais porque
também não foram educados para isso, problemas de relacionamento com
o técnico e/ou colegas, despreparo para enfrentar situações de
derrota entre outras.
Os raros talentos
esportivos que temos foram descobertos ao acaso, com muita sorte,
abnegação dos pais, patrocínio privado e não fruto de um programa
global e sistemático como fazem nos países desenvolvidos.
A gente sabe que
não basta ter talento onde o fator genético é fundamental. É preciso
já na infância ao ser descoberta e selecionada a criança seja
incentivada a freqüentar um programa de desenvolvimento das
valências físicas dentro de uma progressão pedagógica.
A diversão é o modo
mais fácil de motivar uma criança a praticar uma atividade esportiva
seguida da necessidade natural de estabelecer um vínculo social. É
preciso lembrar que o ser humano é competitivo pela própria
natureza. Mal começa a andar já quer correr mais do que a outra
criança. Mal aprendem a dominar o velocípede já querem pedalar mais
rápido do que o coleguinha e assim vai.
O esporte de base
começa nas escolas e nas comunidades e se queremos descobrir
talentos é preciso fazer muito. Os especialistas apontam que de cada
2000 crianças apenas 2% podem apresentar condições natas para serem
encaminhadas para um treinamento esportivo de rendimento a longo
prazo e talvez nem a metade chegue a uma medalha Olímpica. No Brasil
esporte e educação não andam juntos e qualquer cidadão de bom senso
sabe que um depende do outro. A Educação Física escolar tem
importância na formação de um ser humano mais completo e não apenas
representa prática esportiva pura e simples ou descoberta de
talentos. Faz algum tempo que o esporte na escola deixou de ser
importante. No ano passado o ex-secretário de esporte Lars Grael
afirmou numa entrevista a um jornal que basta uma comparação dos
índices atuais dos jogos escolares com os dos anos 80 para ver que
são todos piores. As escolas deixaram de lado a prática esportiva e
os professores de Educação Física, coitados! Dão “murro em ponta de
faca”. Claro, a culpa não é deles. É do poder público.
E
as escolas públicas da cidade de Petrópolis no estado do Rio de
Janeiro? Será que são muito diferentes do resto do estado? E o
esporte nas comunidades? Existem? O pouco que tem se deve a
incansáveis abnegados que nada recebem por isso. Eu sei por que moro
na cidade. Até o esporte de base que é o atletismo anda mal das
pernas. Lembro-me que até 2003 além do Ranking Petropolitano de
Corrida de Rua com mais de 10 competições durante o ano ainda tinha
um calendário de provas infantil muito disputado que selecionava
crianças para a tradicional São Silvestrinha em São Paulo.
Na semana passada
os leitores da cidade acompanharam no jornal Tribuna de Petrópolis
que o prefeito tem uma séria inclinação de acabar com a Secretaria
de Esportes. Ora, se acharem que o atual secretário não é bom,
Petrópolis tem profissionais competentes para assumir o cargo e
fazer muito pelo ideal Olímpico. Acabar com a secretaria não seria
andar na contramão do momento Olímpico que vivemos? É de Ulisses
Guimarães a frase: “A vocação do político de carreira é fazer de
cada solução um problema.”
Para Refletir:
"Os homens hão de aprender que a política não é a moral e que se
ocupa apenas do que é oportuno." (Henry David Thoreau)
Sobre a Ética:
O único livro que registra a verdade absoluta de cada um é a
consciência. Quando não queremos saber a verdade, por conveniência
não o consultamos. Moraes 2009.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Luiz Carlos
de Moraes CREF1 RJ 003529
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