Dra. Nadia Lucia Rocha

  • Nutricionista especializada em Ciência do Esporte;

  • Estagiária do Curso de Formação Básica de Pesquisador em Ciência do Esporte do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul - CELAFISCS

  • Nutricionista responsável pela Clínica Médica - Endocrinologia, unidade Jaçanã Contratada pela empresa Refinações de Milho Brasil S/A para ser representante técnica em Congressos como de Nutrição, Cardiologia e ENAF

  • Palestrante da IX JONUTRI - Jornada de Nutrição da Universidade Bandeirante de São Paulo - UNIBAN com o Tema "Nutrição no Esporte".

EFEITOS DO TREINO NO METABOLISMO APÓS REFEIÇÃO RICA EM CARBOIDRATO E OUTRA RICA EM LÍPIDEOS

Se o carboidrato (CHO) tiver um percentual maior na refeição, será o primeiro a ser oxigenado (metabolizado), e a oxigenação da gordura terá um decréscimo (devido ao efeito da insulina), assim a gordura se armazena no tecido adiposo.

Em contrapartida, Segundo Flatt, J.P. 1993, Sidossis, et al., 1996 e Wolfe, R.R., 1998 Que estudaram a relação entre o metabolismo da glicose e lipídeo nos humanos. Se a refeição for mais rica em gordura (>25g), a oxidação do CHO é menor devido à diminuição da liberação de insulina, resultando em um aumento da oxidação de gordura e uma maior velocidade da gordura acidificar entre as refeições. Além disso, eles notam que após uma refeição rica em gordura, a ação da lipoproteína na lípase (quilomicrom-triacilglicerol), está ligada com a liberação da acidez de gordura no sangue e no aumento de gordura no metabolismo.

O treinamento aeróbico (T.A.) pode levar a uma importante ajuda no regulamento da oxidação do CHO e do lipídeo. Segundo Flatt, J.P., 1995 Uso e armazenamento de CHO e Lipídeo. O T.A. está mostrando promover a oxidação da gordura durante e após o exercício submax. Portanto, pessoas treinadas poderão ter uma metabolização de gordura maior do que pessoas destreinadas.

Tremblay, A. et al, 1983 Diminuição da termogênese em mulheres treinadas. Encontraram que após consumir uma refeição, as pessoas treinadas tiveram um menor coeficiente respiratório do que as pessoas destreinadas. Este menor coeficiente respiratório indica que pessoas treinadas sofrem em alta proporção oxidação de lipídeos após as refeições. Concluindo que o treino resulta na pouca utilização de CHO após o exercício. Portanto, o treino pode modificar a utilização de substratos em ambos estados: no repouso e durante o exercício.

O T.A. pode ter um efeito no metabolismo de repouso e na termogênese induzida pela dieta. Poehlman, E.T, et al, 1989 em uma revisão: Sugeriram uma relação direta entre a potência aeróbica (VO2max) e o metabolismo de repouso no homem. Sugerindo que o treino aumenta o metabolismo de repouso. Em um outro estudo em 1990 eles reportaram um maior metabolismo de repouso nas pessoas treinadas do que nas destreinadas.

Davis J.R. et al, 1983 Em consideração a indução da termogênese pela dieta. Encontraram uma positiva correlação com nível de significância de (p<0,05) na termogênese da dieta com a capacidade aeróbica (VO2max), mostrando a importância do treino no aumento do gasto de energia pós-prandial. A investigação de Poehlman, E.T et al, 1989 concorda, mas mostra uma relação curvilínea entre a termogênese da dieta e o VO2max. Portanto, o exercício aeróbico pode projetar um aumento no metabolismo de repouso e/ou na termogênese induzida pela dieta.

Em um recente estudo de Victoria L. Bowden e Robert G. Mc Murray que foi publicado no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, 2000, 10, 16-27 confirma estas informações. Com objetivo de avaliar a possível influência do (T.A.) no metabolismo de repouso e na utilização do substrato após refeição em mulheres treinadas e destreinadas.

Eles analisaram por calorimetria indireta (espirômetro) 6 mulheres treinadas (VO2max ³50 ml/kg/min) e 6 mulheres destreinadas (VO2max £40 ml/kg/min) com idade entre 21-45 anos, não fumantes, após uma dieta rica em CHO e outra rica em lipídeo.

Eles concluíram:

  • As mulheres treinadas tiveram um aumento significativo no gasto metabólico após a refeição rica em CHO enquanto as mulheres destreinadas tiveram um atraso.

  • A dieta rica em CHO causou um aumento na oxidação de lipídeo nas mulheres treinadas. Este aumento foi evidenciado aos 90 min após comerem. O que não acontece com as mulheres destreinadas.

  • A dieta rica em Lipídeo causou uma menor oxidação de lipídeo nas mulheres treinadas. Entre 2 e 5 h após comerem. Enquanto nas mulheres destreinadas apenas após 1 h após comerem apresentaram um pico de oxidação de lipídeo.

  • O gasto respiratório das treinadas foi maior do que as destreinadas durante as duas refeições.

Portanto, embora este grupo seja pequeno, podemos observar a importância do treinamento na utilização de substratos pelo organismo. E estes estudos mostram que apesar da dieta ser rica em CHO, o indivíduo utiliza durante e após exercício aeróbio o lipídeo como substrato, e se este indivíduo tiver um bom condicionamento físico ele utilizará em maior quantidade como substrato o lipídeo. E isto contribui para controle de peso e manutenção da saúde.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
 


BOWDEN, V.L. and MC MURRAY, R.G. Effects of Training Status on the Metabolic Responses to High Carbohydrate and High Fat Meals. Int. J. Sport Nut. Ex. Metab, 2000, 10, 16-27
DAVIS, J.R., TAGLIAFERRO, A.R., KERTZER R., GERARDO, T., NICHOLS, J., and WHEELER J. Variations in dietary-induced thermogenesis and body fatness with aerobic capacity. Eur.J.Appl. Physiol. 50:319-329, 1983.
FLATT, J.P. Dietary fat, carbohydrate balance, and weight maintenance. Ann. NY Acad. Sci. 683: 122-140, 1993.
FLATT, J.P., RAVUSSIN, E., ACHESON, K.J., and JEQUIER, E., Effects of dietary fat on post prandial substrate oxidation and on carbohydrate and fat balances. J. Clin. Invest. 76:1019-1024, 1985.
POEHLMAN, E.T. A review: exercise and its influence on resting energy metabolism in man. Med. Sci. Sports Exerc. 21:515-525, 1989
SIDOSSIS, L., and WOLFE. R.R, Hyperglycemia-induced inhibition of fatty acid oxidation: the glucose-fatty acid cycle reversed. Am.J.Physiol. 33: E 33-38,1996.
TREMBLAY, A., COTE, J. and LE BLANC, J. Diminished thermogenesis in exercise-trained human subjects. Eur. J. Appl. Physiol. 52: 1-4, 1983.
WOLFE, R.R. Metabolic interactions between glucose and fatty acids in humans. Am. J. Clin. Nutr. 67:519S-526S, 1998.

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