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Métodos de Avaliação
De acordo com
MARTIN & DRINKWATER (1991), existem várias técnicas para a
determinação da composição corporal. Estes procedimentos de
determinação podem ser classificados em métodos direto,
indiretos e duplamente indiretos.
Método Direto
A dissecação de
cadáveres é a única metodologia considerada direta; neste método
ocorre a separação dos diversos componentes estruturais do corpo
humano afim de pesá-los e estabelecer relações entre eles e o peso
corporal total. Desta forma, podemos perceber a dificuldade de
estudos envolvendo este procedimento, o que justifica a pequena
quantidade de estudos com cadáveres e a utilização de metodologias
mais acessíveis.
Entretanto, cabe
citar dois estudos de grande relevância nesta área que se utilizaram
da metodologia direta, o de MATIEGKA (1921) e o de DRINKWATER et
alii (1984).
No primeiro, (MATIEGKA,
1921) desenvolveu uma série de equações para estimar o peso da pele
mais o tecido adiposo subcutâneo, dos músculos esqueléticos, dos
ossos e do tecido residual (órgãos e vísceras). Em seu estudo,
Matiegka reconheceu a necessidade de novos estudos com cadáveres
para validar os coeficientes que derivou.
No segundo, (DRINKWATER
et alii, 1984) bem mais recente, foram estudados 25 cadáveres, com
idades variando entre 55 e 94 anos, que foram medidos e dissecados.
Este estudo foi o único onde os dados de medidas de superfície e
composição anatômica foram coletados nos mesmos cadáveres; o mesmo
contribuiu para a obtenção de novos dados sobre as quantidades dos
tecidos e órgãos no corpo humano adulto, relatando as quantidades
destes tecidos e órgãos por medidas corporais externas, produzindo
dados que podem ser usados para a validação de vários métodos de
estimativa da composição corporal humana "in vivo", e para o
desenvolvimento de novos métodos antropométricos (DRINKWATER et alii,
1984). É importante ressaltar que a utilização das equações
propostas por este estudo deve ser cuidadosa no que se refere a
populações jovens, crianças e atletas, pois a amostra era composta
só por indivíduos idosos e isso pode proporcionar um erro
significativo nos resultados.
Métodos Indiretos
Os métodos
indiretos são aqueles onde não há a manipulação dos componentes
separadamente, mas a partir de princípios químicos e físicos que
visam a extrapolação das quantidades de gordura e de massa magra;
estes métodos são validados a partir do método direto. Entre os
métodos indiretos podemos citar como métodos químicos a contagem de
potássio radioativo (K40 e K42), diluição de óxido de deutério,
excreção de creatinina urinária, etc; com relação aos métodos
físicos os mais conhecidos são o ultra-som, o raio X, o raio X de
dupla energia, a ressonância nuclear magnética e a densimetria.
Entre estes, a
pesagem hidrostática tem sido considerada como referência para a
validação de métodos duplamente indiretos. Ela é baseada no
Princípio de Arquimedes, onde um corpo quando mergulhado em água
desloca um volume de água igual ao seu próprio volume.
A pesagem
hidrostática (também conhecida como pesagem subaquática) define o
volume corporal pelo cálculo da diferença entre o peso corporal
aferido normalmente e a medição do corpo submerso em água. Em outras
palavras, o volume corporal é igual à perda de peso na água com a
devida correção da temperatura para a densidade da água (KATCH &
McARDLE, 1996).
Devido a
necessidade de técnicos altamente treinados e equipamentos
laboratoriais caros, a determinação da composição corporal por
pesagem hidrostática é raramente utilizada em situações de campo. A
alternativa mais comum é o uso de algumas formas de métodos
antropométricos. Estes incluem proporções peso-estatura,
circunferências corporais e medidas de dobras cutâneas (BAUMGARTNER
& JACKSON, 1995).
Métodos Duplamente Indiretos
Os métodos
duplamente indiretos são aqueles validados a partir de um método
indireto, mais frequentemente a densimetria. Temos como mais
utilizados a técnica antropométrica e a Impedância Bioelétrica.
Medidas
antropométricas são aplicáveis para grandes amostras e podem
proporcionar estimativas nacionais e dados para a análise de
mudanças seculares (ROCHE, 1996), este método pode incluir medidas
de peso, estatura, perímetros corporais, diâmetros ósseos e
espessura de dobras cutâneas, sendo esta última a mais utilizada
quando o objetivo é predizer a quantidade de gordura corporal.
Segundo McARDLE,
KATCH & KATCH (1985), a lógica para a medida das dobras cutâneas
baseia-se no fato de que aproximadamente metade do conteúdo corporal
total da gordura fica localizada nos depósitos adiposos existentes
diretamente debaixo da pele e essa está diretamente relacionada com
a gordura total. LOHMAN (1981), afirma também, que um dos mais
práticos caminhos para a avaliação da composição corporal de
populações de adultos entre 20 e 50 anos de idade é o uso das dobras
cutâneas, isto porque de 50 % a 70 % da gordura corporal está
localizada subcutaneamente e algumas dobras cutâneas têm mostrado
relação com a adiposidade corporal total.
Tendo em vista a
baixo custo operacional dos métodos duplamente indiretos e sua
relativa simplicidade de utilização, estes métodos têm sido
preferencialmente utilizados por profissionais das áreas de Educação
Física, Nutrição e Medicina.
A Técnica Antropométrica
A antropometria é
o método mais utilizado para avaliação da composição corporal pela
sua aplicabilidade tanto no laboratório como no campo, na área
clínica e em estudos populacionais. Sendo que sua relativa
simplicidade e o baixo custo dos equipamentos contribuem para sua
popularidade. ROCHE (1996), atribui a estas vantagens a utilização
de medidas antropométricas em estudos com grandes amostras
populacionais, que podem proporcionar estimativas nacionais e dados
para a análise de mudanças seculares.
Através de
medidas antropométricas é possível fazer acompanhamento de
crescimento morfológico, bem como de alterações de medidas corporais
decorrentes da prática de exercícios físicos e dietas, proporcionado
dados de grande valia para os profissionais que atuam nestas áreas.
Este
acompanhamento pode ser realizado simplesmente pela observação da
alteração das medidas em valores absolutos ou através da utilização
das mesmas em modelos matemáticos que têm a finalidade de estimar as
quantidades dos diferentes componentes corporais: massa muscular,
massa óssea, massa gorda e massa residual.
Utilização das Medidas Antropométricas
Os valores
obtidos com as medidas antropométricas podem ser utilizados tanto
considerando-se seu valor absoluto quanto em equações de predição
dos diferentes componentes corporais ou em índices corporais que se
relacionam com o estado nutricional ou de saúde do avaliado. Em se
tratando de composição corporal, as medidas antropométricas mais
comumente utilizadas são as espessuras de dobras cutâneas (GUEDES &
GUEDES, 1998).
Existem dezenas
de equações para esse fim, mas é muito importante ter em mente que
estas equações foram criadas para populações específicas e podem
produzir resultados distorcidos quando utilizadas em indivíduos
diferentes daqueles que fazem parte da amostra que deu origem à
equação (COSTA, 1996).
Para evitar erros
acentuados é muito importante, quando da escolha de uma equação,
verificar com base em que população ela foi criada: homens,
mulheres, crianças, jovens, idosos, indivíduos ativos, atletas, etc.
Com relação a atletas cabe ressaltar que existem equações para
diversas modalidades esportivas. Além disso, não podemos esquecer
que estas equações vêm de outros países, o que também pode causar
alguns equívocos com relação aos resultados.
Como alternativa
à utilização de equações vindas de outros países, GUEDES (1985) e
PETROSKI (1995), produziram equações de predição de densidade
corporal com base em estudos realizados em população brasileira,
porém nos dois estudos os sujeitos eram do sul do país, e é preciso
ficar claro que num país de dimensões continentais e com grande
miscigenação de etnias, além das diferenças climáticas e de hábitos
alimentares, como o Brasil, não podemos considerar que uma única
equação possa ser utilizada para toda a população brasileira, o que
sugere a necessidade de novos estudos envolvendo indivíduos de
outras localidades do país.
Impedância Bioelétrica
A análise da
composição corporal através da impedância bioelétrica tem como base
a medida da resistência total do corpo à passagem de uma corrente
elétrica de 500 a 800 microA e 50 kHz.
Os componentes
corporais oferecem uma resistência diferenciada à passagem da
corrente elétrica, os ossos e a gordura, que contém uma pequena
quantidade de água constituem um meio de baixa condutividade, ou
seja, uma alta resistência à corrente elétrica. Já a massa muscular
e outros tecidos ricos em água e eletrólitos, são bons condutores,
permitindo mais facilmente a passagem de corrente elétrica.
Segundo as leis
de Ohm, a resistência de uma substância é proporcional à variação da
voltarem de uma corrente elétrica a ela aplicada; desta forma,
através de um sistema tetrapolar, onde dois eletrodos são fixados à
região dorsal da mão direita e dois à região dorsal do pé direito do
avaliado, o aparelho irá identificar os níveis de resistência e
reactância do organismo à corrente elétrica, avaliando a quantidade
total de água no organismo e predizendo, através desta quantidade de
água, a quantidade de gordura corporal do indivíduo.
A velocidade e a
relativa simplicidade de execução do método da impedância
bioelétrica representam uma grande vantagem de sua utilização na
academia, no clube ou na clínica. A principal limitação deste método
surge quando o avaliado apresenta alterações em seu estado de
hidratação; assim, a quantidade de alimentos e líquidos ingeridos
pelo avaliado, bem como a atividade física realizada no dia do
teste, entre outros fatores como nefropatias, hepatopatias e
diabetes podem influenciar o resultado obtido por este método.
Segundo LUKASKI
(1986), para a realização da análise da composição corporal através
da impedância bioelétrica o avaliado tem uma participação decisiva,
devendo obedecer a uma série de procedimentos prévios ao teste, sem
os quais poderá estar comprometendo seu resultado.
As recomendações
são as seguintes:
-
Não utilizar
medicamentos diuréticos nos 7 dias que antecedem o teste;
-
Manter-se em
jejum pelo menos nas 4 horas que antecedem o teste;
-
Não ingerir
bebidas alcoólicas nas 48 horas anteriores ao teste;
-
Não realizar
atividades físicas extenuantes nas 24 horas anteriores ao teste;
-
Urinar pelo
menos 30 minutos antes do teste, e
-
Permanecer,
pelo menos, 5 a 10 minutos deitado em decúbito dorsal, em total
repouso antes da execução do teste.
Afinal, qual a melhor Técnica?
Após esta pequena
revisão sobre avaliação da composição corporal percebe-se que a
escolha da técnica não é tão fácil quanto parece e, qualquer que
seja a técnica pela qual optemos, é necessário um bom conhecimento
da mesma no que diz respeito à padronização das medidas e sua
validade para o grupo ou indivíduo a ser avaliado.
Considerando que
as técnicas mais acessíveis são justamente as que podem produzir
mais erro, é importante que verifiquemos as vantagens e limitações
da técnica escolhida, para que possamos errar um pouco menos.
Fonte: COSTA, R. F. Qual a melhor
técnica de avaliação da composição corporal. Nutrição em Pauta,
37:31-5, 1999.
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